Índios mantém três reféns em reserva
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domingo, 22 de março de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Ontem era grande a apreensão das famílias de José Almir Torres Quintanilha, 28 anos, e seu irmão, Valmiron Torres Quintanilha, 30, mantidos reféns dos índios caingangues da Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, no Norte do Estado, desde o dia 19. Os dois trabalham como eletricistas de empresas terceirizadas que prestam serviços para a Copel. Além deles, também é refém o antropólogo da estatal Alexandre Húngaro da Silva. Um representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) é esperado hoje na cidade para tentar resolver o impasse.
Os índios mantêm os reféns como forma de garantir uma negociação com a Copel para o pagamento de indenização pelo uso das terras da reserva, onde passam linhas de transmissão de energia.
Segundo as esposas de José e Valmiron, Josilene Nogueira dos Santos e Maria Lúcia de Abreu, na última conversa por telefone, anteontem à noite, os dois disseram que estavam bem. ''Eles falam que não estão sendo maltratados, mas mesmo assim estamos muito angustiadas'', desabafou Lúcia, afirmando ter medo que se não houver acordo possa acontecer algo de ruim com o marido. Lúcia e Valmir têm duas filhas, uma de seis e outra de nove anos.
Josilene contou que o marido pediu que tenha calma. ''Estamos todos tensos, é uma situação muito complicada, nunca imaginamos passar por isso'', disse. Josi revelou que a filha, de seis anos, ficou muito nervosa quando soube que o pai estava como refém e precisou ser hospitalizada. ''E amanhã (hoje) vai ser um dia triste porque é aniversário dela e vai passar longe do pai'', comentou.
Segundo Lúcia e Josi, os reféns estão se alimentando duas vezes por dia. Um funcionário da Copel leva almoço e jantar para eles todos os dias, mas precisa marcar horário com os indígenas, que vão até um local determinado para pegar esse alimento. Conforme as duas, ninguém pode chegar perto da aldeia. José e Valmiron foram feitos reféns na quinta-feira, quando faziam o trabalho de inspeção de rotina na aldeia. O antropólogo foi ao local no dia seguinte tentar uma negociação e também foi dominado pelos índios.
Os reféns disseram para as esposas que têm a expectativa de ser libertados na quarta-feira, quando está prevista uma reunião entre representantes da aldeia, Ministério Público Federal (MPF), Funai e Copel para discutir os valores da indenização.
O impasse teria começado porque essa reunião, anteriormente agendada para o último dia 18, foi cancelada. Os índios não foram informados sobre isso e compareceram ao local marcado. Segundo a assessoria de imprensa da Copel, em Londrina, manter os reféns é uma forma de garantir as negociações.
A assessoria informou que o pagamento pelo uso da reserva, no valor de R$ 25 mil, é feito todos os meses e não está atrasado. O que está sendo discutido agora é uma indenização por danos culturais e ambientais da área. A Copel ofereceu uma cota de R$ 1 milhão, mas os índios querem um valor maior, R$ 3,5 milhões.
O representante da Funai, em Londrina, Marcos César da Silva, disse que esteve na reserva na tarde de sábado e que, apesar do clima tenso na aldeia, os reféns estão bem.
De um telefone público colocado na aldeia, um índio que se identificou como Izail Nunes de Paula disse ontem que os reféns estavam tranquilos. ''Os três continuam aqui e está tudo certo'', afirmou. (Com agências)


