Índios mantêm reféns em aldeia
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Fernanda Borges<br> Equipe da Folha 
São Jerônimo da Serra - Moradores de São Jerônimo da Serra (Norte) e das vilas rurais da região estão com medo de se aproximar da Reserva Indígena Barão de Antonina. Nem mesmo os lavradores que trabalham pelas proximidades têm entrado na área. O temor é justificado pela atitude dos índios, que mantêm três reféns na aldeia.
Uma moradora de São Jerônimo, que preferiu não se identificar, disse que foi barrada na entrada da aldeia, quando levava leite para a comunidade. "Eu sempre levo o leite fornecido pelo Estado, mas um índio me abordou no caminho e disse para eu não entrar porque a coisa lá dentro estava feia. Ele mandou eu deixar o leite na casa de um lavrador ali perto, porque eles iriam buscar depois", disse, assustada.
Hoje completa cinco dias que os funcionários da Copel José Almir Torres Quintanilha, 28 anos, e Valmiron Quintanilha, 30, foram feitos reféns dos índios caingangues. Eles exigem uma negociação rápida com a Copel e o pagamento da indenização pelo uso da área. Além dos dois funcionários, também é refém o antropólogo Alexandre Húngaro da Silva. Ele foi pego na sexta-feira, quando foi à reserva tentar negociar a libertação dos irmãos Quintanilha.
Dois técnicos da coordenação de patrimônio indígena da Fundação Nacional do Índio (Funai), de Brasília (DF), chegaram a Londrina na tarde de ontem. No início da noite eles se preparavam para ir até a aldeia conversar com os índios. Os técnicos confirmaram com o Ministério Público federal que a reunião com a comunidade foi antecipada para hoje, em Londrina.
Uma das condições impostas aos índios pelo Ministério Público Federal seria que os índios liberassem os reféns ainda ontem ou no máximo até as 8 horas de hoje. De acordo com o representante da Funai em Londrina, Marcos César da Silva, os índios garantem que estão tratando bem os três homens, mas avisaram que não querem que a aldeia seja "invadida" por ninguém, principalmente por jornalistas.
No manhã de ontem, a reportagem da FOLHA foi até a sede da aldeia, onde encontrou um grupo de dez índios. Eles cercaram o veículo e exigiram que a equipe fosse embora. "Saiam antes que a gente fique com todos os equipamentos. Se não forem logo não vamos mais deixar que saiam daqui", avisou o cacique Alexandre Almeida, que foi afastado temporariamente pela comunidade.


