Londrina

Josoé de CarvalhoPaciência esgotadaO cacique Jucelino Vergílio: ‘A comunidade fica me perguntando por que o plebiscito demora tanto’Os índios da reserva de Apucaraninha (70 quilômetros ao sul de Londrina) estão irritados com a demora na realização de um plebiscito para decidir se ficam sob responsabilidade de Tamarana ou se voltam a pertencer a Londrina. O plebiscito foi aprovado pela Assembléia Legislativa no final de setembro, mas até agora não foi decidida a data de sua realização.
Quando Tamarana foi emancipada, no final de 1995, a reserva foi incorporada ao novo município. Mas os índios caingangues protestaram e o deputado Florisvaldo Fier (PT) apresentou um projeto, propondo a devolução da área a Londrina. O projeto foi aprovado pela Assembléia Legislativa, mas a lei foi suspensa devido a uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná, no dia 22 de setembro. A decisão judicial foi uma resposta à ação direta de inconstitucionalidade impetrada pelo deputado José Maria Ferreira (PSDB), em nome da AL.

Josoé de CarvalhoCobiçadoO salto do Apucaraninha: turismoNovamente a comunidade indígena protestou e uma comissão chegou a ir até a Assembléia. Um projeto de lei foi apresentado e aprovado, decidindo pela realização de um plebiscito na reserva. ‘‘Prometeram que dentro de três semanas o plebiscito ia ser realizado, mas estamos aguardando até agora’’, afirma o presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lorival de Oliveira.
Cansadas de esperar, as lideranças indígenas da reserva estão realizando, desde a semana passada, reuniões quase todos os dias para decidir o que podem fazer. ‘‘A comunidade fica cobrando, perguntando por que demora tanto. E a gente não sabe o que falar’’, observa o cacique da reserva, Jucelino Vergílio. Ele explica que quer a realização de uma consulta popular ainda neste ano e não descarta a possibilidade de ir novamente à Assembléia Legislativa para pressionar os deputados.
Lorival de Oliveira diz que a demora no plebiscito já vem causando suspeitas de alguns índios. ‘‘Eles acham que eu me vendi para Tamarana’’, revela. ‘‘Mas não é nada disso: eu também quero o plebiscito, mas os políticos estão enrolando’’, completa.

CobrançaLorival de Oliveira: ‘Os políticos é que estão enrolando’O presidente do Conselho Indígena diz que a assistência no setor de saúde continua sendo mantida pela Prefeitura de Londrina, mas que a indefinição sobre a quem pertence a reserva está prejudicando a comunidade. ‘‘A gente quer uma máquina para fazer um trabalho na roça e não sabe para qual Prefeitura vai pedir’’, exemplifica Lorival de Oliveira. Ele afirma ainda que a questão começa a causar polêmica. ‘‘E isso é perigoso porque as discussões podem dividir a comunidade’’, afirma.
Tanto Lorival Oliveira quanto Jucelino Vergílio são a favor de que a reserva continue a pertencer a Londrina. Eles acreditam que o Município, por ser maior, tem mais condições de ajudar a comunidade. ‘‘Tamarana foi emancipada agora e tem seus problemas para resolver’’, justifica o cacique da reserva.
Quem também partilha da mesma opinião é Sebastião Servino, 70 anos. ‘‘Eu prefiro ficar com Londrina porque ajuda muito a gente’’, resume. Ele diz estar preocupado com a indefinição e cansado de esperar pelo plebiscito. Antonio Ribeiro, 37 anos, lembra que, quando Tamarana foi emancipada, os índios não foram consultados para saber onde queriam ficar. ‘‘Eu não quero sair de Londrina’’, observa Ribeiro.
Moram na reserva de 5.574 hectares 160 famílias, que totalizam 970 índios. Além da sede onde ficam as casas dos índios, também pertencem à reserva uma mata nativa e o salto do Apucaraninha. As prefeituras de Londrina e Tamarana querem explorar turisticamente o salto.

mockup