Índios caingangues e guaranis da reserva Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras (118 km a leste de Cascavel) e do Posto Indígena de Mangueirinha (76 km ao norte de Pato Branco), bloquearam ontem o km 475 da BR-277, entre Nova Laranjeiras e Guaraniaçu, e o acesso de Mangueirinha a Pato Branco, na PR-365. Os índios utilizaram tratores e toras para interditar as rodovias, permanecendo também, eles próprios, em meio à estrada. A manifestação teve início às 6 horas.
A partir das 8 horas, a Polícia Rodoviária Federal passou a orientar os motoristas que trafegavam em direção aos dois pontos. Parte dos motoristas retornou até Cascavel. Outros preferiram apostar na liberação da pista, o que acabou não acontecendo até o final da tarde. Na BR-277, a fila de veículos chegou a aproximadamente 20 quilômetros.
O bloqueio é em protesto contra os cortes de verbas do governo federal, a partir de outubro de 97, e que também atingem as verbas aplicadas pela Funai em reservas indígenas na educação, saúde, assistência social e outras áreas. o cacique da reserva de Rio das Cobras, José Olíbio, chegou a afirmar que o movimento só terminaria se houvesse uma negociação direta com o presidente da República.
O administrador substituto do escritório regional da Funai em Guarapuava (que atende as duas reservas), João Rozo, informou que as verbas destinadas às comunidades indígenas foram reduzidas em 80%. ‘‘Não temos nem combustível para nos deslocarmos até as reservas, e muito menos condições de prestar assistência aos índios’’, disse.
Rozo admitiu que soube da possibilidade de interdição das rodovias na noite de anteontem, mas afirmou que não teve como impedir o protesto. Juntas, as duas reservas possuem cerca de 4 mil índios. Na BR-277, quase 2 mil participaram da interdição.
O prefeito de Nova Laranjeiras, José Lineu Gomes (PMDB), disse ontem à tarde que a situação era motivo para grande preocupação. ‘‘Há muitos caminhões parados na pista. Essa gente está sendo prejudicada’’. Gomes tentou negociar com líderes indígenas o fim da interdição, propondo-se a ajudar na ida deles até Brasília. ‘‘Eles querem que os representantes do governo venham até o local’’. Dirigentes nacionais da Funai e do Ministério da Justiça saíram de Brasília, de avião, no começo da tarde de ontem, para tentar resolver o impasse.

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