De agora até o final do ano a cidade vive uma grande e preocupante movimentação de índios caingangues, que saem de suas reservas para vender produtos de cestaria e mendigar na zona urbana. Incentivadas pelos presentes e dinheiro fáceis que vêm da população, famílias inteiras passam temporadas de precariedade, em acampamentos ao ar livre. Nos últimos dias cinco famílias da Reserva de Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana) ocuparam parte do terreno ao lado do Terminal Rodoviário de Londrina.

À sombra de uma árvore, eles espalharam colchões, roupas e outros pertences. Dois carrinhos de bebê indicam a presença de crianças, embora, a princípio, uma das mulheres presentes negue que elas também tenham vindo. A mulher, que diz se chamar Natália, não sabe informar há quanto tempo estão no local, mas conta que logo pretendem ir embora, pois ''está ruim de vender''. Ela refere-se aos balaios e cestas - alguns trazidos prontos, outros trançados ali mesmo.

Natália afirma que a comida consumida por todos veio, em parte, da reserva, e que outra parte é conseguida de casa em casa. Quando questionada sobre o que fazem quando chove, ela aponta para o lado da Rodoviária. Ao que tudo indica, também é ali que conseguem água e usam o banheiro.

Segundo a assistente social Irma Basso, do serviço de assistência da Fundação Nacional do Índio (Funai), a questão dos caingangues que têm o costume de sair de suas reservas é muito complexa, pois não há como coibir seu direito de ir e vir. ''O chefe de posto pode dar autorização para que eles fiquem longe da aldeia por no máximo 15 dias. Depois disso, se não voltarem, entramos em contato com o cacique'', observa.

De acordo com Irma, reuniões e palestras - com a participação do Ministério Público, Procuradoria da República, Funai e Prefeitura - têm sido realizadas junto às lideranças indígenas no sentido de diminuir a movimentação das famílias. ''Temos dialogado muito, na tentativa de convencê-los a não sair da reserva.''

A representante da Funai lembra, porém, que daqui para a frente esse comportamento tende a se acentuar. ''Com o calor e a aproximação das datas festivas, como Dia das Crianças e Natal, eles passam a vir para a cidade com mais frequência. Muita gente doa aparelhos eletrônicos velhos para os índios, o que estimula as temporadas deles na cidade. Nos parece que a venda de balaios é apenas um passaporte, pois é menos atrativa que as outras possibilidades de ganho'', ressalta. Irma recomenda, portanto, que a população evite dar esmolas e presentes.

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