Londrina - Os índios caigangue da Reserva Apucaraninha (região sul) vão receber 63 casas de alvenaria, que já estão em fase de acabamento. As casas, que têm cerca de 36 m2 - algumas já estão habitadas - devem ser entregues oficialmente até o início do ano que vem. Atualmente, 220 famílias vivem na aldeia.
Segundo Osvaldo de Souza Campos, assessor técnico-administrativo da Secretaria Municipal de Agricultura, o objetivo é melhorar a qualidade de vida dos índios e promover o desenvolvimento rural.
Na reserva, a maioria das casas são do tipo rancho, ou seja, de pau-a-pique com cobertura de sapé. Mas há algumas feitas de madeira e cobertas com telha de amianto. A habitação típica da aldeia tem apenas uma janela e dois cômodos. Durante o inverno, o vento frio encontra passagem direta pela casa, o que tem provocado aumento no índice de doenças respiratórias, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.
A unidade básica de saúde da Reserva Apucaraninha indica que a maioria dos atendimentos ambulatoriais aos índios registra problemas ligados à falta de higiene e às condições precárias de habitação. Verminoses, diarréia e doenças pulmonares são alguns dos problemas que as casas de pau-a-pique podem agravar. ''Muitos dos casos que atendemos são de verminose ou diarréia, que podem ser previnidos com pequenos cuidados de higiene'', afirmou Luzinete Paulo de Oliveira, enfermeira da unidade de saúde da reserva.
A construção das casas na Reserva Apucaraninha faz parte do programa estadual Paraná 12 meses e envolve parcerias entre diversos órgãos públicos: secretarias municipais de Assistência Social, de Obras e de Agricultura e Abastecimento; a Empresa Paranaense de Assistência Técnica Extensão Rural (Emater); a Fundação Nacional do Índio (Funai); a Fundação Nacional de Saúde (FNS); a Universidade Estadual de Londrina (UEL); Companhia de Habitação (Cohab) e a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
O custo médio de cada habitação é de R$ 3 mil. Pedreiros cedidos pela Funai participaram do trabalho, mas a grande maioria da mão-de-obra foi composta por índios da reserva.
''Cada índio ajuda a construir sua casa, porque a gente quer casa boa, igual casa de branco, e quer que os problemas de saúde melhorem'', afirmou o cacique da reserva, Natalino Mercolino, 34 anos.

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