O Centro Cultural Caingangue (CCC) - um acampamento provisório construído pela Prefeitura de Londrina para acolher as famílias indígenas que vêm da Reserva do Apucaraninha para vender seu artesanato na cidade - deverá ser inaugurado no próximo dia 19, data em que se comemora o Dia Nacional do Índio.
Os índios - que atualmente ficam instalados em precárias barracas de lonas em fundos de vales - passarão a contar, no CCC, com cinco casas construídas de madeira e cobertas com sapê. As casas, que terão instalações sanitárias, energia elétrica e água encanada, foram projetadas por arquitetos do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) dentro das características das habitações existentes na reserva, que fica no município de Tamarana (62 km ao sul de Londrina).
Além de um local para a venda do artesanato produzido na reserva, o novo centro cultural contará com um espaço especialmente reservado para exposições permanentes de fotografias, livros, objetos e vídeos ligados à cultura caingangue. O CCC fica no Jardim Arpoador, na margem direita da Avenida Dez de Dezembro, na zona sul da cidade.
Dorico da SilvaAs cinco casas de madeira com cobertura de sapê mantêm características das habitações da reservaA construção das casas, iniciada em outubro e em fase final de acabamento, custou cerca de R$ 85.000,00 e foi realizada pela Secretaria Municipal de Obras. Antes da inauguração, ainda faltam a instalação de um alambrado, a arborização e o ajardinamento do local, que serão feitos pela Autarquia do Meio Ambiente (AMA) nos próximos dias.
‘‘Nossa preocupação é oferecer melhores condições de estada às famílias indígenas na cidade. A vinda delas para aqui é um fato histórico-cultural, porque fazem parte de uma nação nômade. Elas estão no norte do Paraná há centenas de anos, muito antes da chegada dos pioneiros brancos. Temos que respeitar isto’’, comenta a antropóloga Marlene de Oliveira, coordenadora do programa de atendimento à Reserva Apucaraninha desenvolvido pela Secretaria Municipal de Ação Social.
De acordo com ela, as oito casas - que não contam com repartições internas - poderão abrigar até 50 índios simultaneamente. ‘‘Não podemos mais aceitar que os índios, principalmente as crianças, venham para Londrina e fiquem expostos a todo tipo de riscos. Hoje, eles ficam nas ruas, nas barracas de lonas nos fundos de vales e nas margens do Lago Igapó’’, argumenta Marlene de Oliveira.
Segundo ela, o cacique e os índios da reserva estão bastante satisfeitos com a construção do CCC. Esta informação é confirmada pelo administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina, José Gonçalves dos Santos. ‘‘O centro será muito importante para os índios, que virão para ele de acordo com uma escala de liberação do cacique da reserva. Em sistema de rodízio, cada família poderá ficar hospedada aqui no máximo um mês. No CCC, os caingangues terão boas condições de segurança e poderão vender seu artesanato com tranquilidade. Ele representa um avanço de Londrina no atendimento aos índios.’’

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