Índios fecham estrada para cobrar asfalto
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Lúcio Horta 
Moradores da região próxima ao distrito de Lerroville, zona sul de Londrina, e também índios da Reserva de Apucaraninha, fizeram uma manifestação, ontem pela manhã, exigindo a pavimentação da estrada que liga as duas localidades. Eles fecharam a via nos dois sentidos e exigiam a presença do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), para explicar os motivos da obra não ter sido realizada.
Por volta das 10h30, mais de 200 pessoas permaneciam reunidas no local e cerca de 20 veículos estavam parados, sem poder trafegar. A expectativa era que à tarde, com o reforço do restante da comunidade indígena de Apucaraninha, mais de mil pessoas estivessem mobilizadas.
Vamos interromper o trânsito até que o prefeito venha falar conosco. Não vamos liberar a estrada. O prefeito está dizendo que já cumpriu todas as promessas de campanha mas esqueceu-se da gente. E foi ele quem prometeu asfalto, dizia o produtor rural Abílio de Souza, que mora na localidade de Água da Limeira, próximo da região.
Souza explicou que a estrada - que tem cerca de 20 quilômetros de extensão - é muito utilizada pelos moradores da região para diversas atividades, como escoamento de produção agrícola; transporte escolar; transporte de areia etc. Em dia de chuva a situação fica difícil, aponta.
Os manifestantes também mostravam uma placa que, segundo eles, é da época do segundo mandato de Belinati, quando a obra teria sido prometida pela primeira vez. A placa aponta que no local seria realizada obra de pavimentação poliédrica, com investimento de Cr$ 220.000,,00. Queremos que o próprio Belinati venha falar com a gente. Não queremos secretário nem ninguém. Na hora que a gente votou nele, não mandamos representante, completou Souza.
Lourival de Oliveira, presidente do Conselho Indígena do Paraná, estava com um recorte da Folha de Londrina de 1º de maio de 1997 em que Belinati anunciava a obra. Agora a gente quer cobrar. Chega de mentira. Hoje nós temos muito aluno que precisa ir para a escola e que é prejudicado. Por isso queremos ele (Belinati) aqui, disse.
Revoltado, o chefe indígena afirmou ainda que se o prefeito não aparecesse no local até às 15 horas de ontem os índios iriam danificar a estrada e também jogar pedra na Usina de Apucaraninha. Metade da cidade vai ficar sem luz, ameaçou.
Para o motorista de transporte escolar Fernandes Góes, que utiliza a estrada diariamente, a pavimentação iria dar mais tranquilidade ao trabalho e também trazer benefícios para os estudantes da região. Viajo duas vezes ao dia. Em dia de chuva não tem como transitar. Aí tem que deixar a criança voltar para casa a pé. Por isso a manifestação é justa. Ficar do jeito que está é difícil, afirmou.


