Começou ontem o 2º Vestibular Indígena que vai disponibilizar 18 vagas em seis universidades estaduais do Paraná (três em cada instituição), para índios que moram no Estado há mais de dois anos. As provas estão sendo realizadas na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e dos 62 inscritos, 59 apareceram para participar da seleção.
Entre os candidatos está Iderson da Silva, 22 anos, que tenta pela segunda vez ingressar na faculdade. Ele quer estudar música. ''Desde criança sempre gostei e queria ensinar música para as pessoas da aldeia'', explicou. Ele é índio guarani e mora na Aldeia Pinhalzinho (Norte Pioneiro). A prova do primeiro dia, que foi oral enfocando a língua portuguesa e interpretação de texto, agradou o vestibulando. A expectativa dele é aprimorar o conhecimento musical. ''No primeiro vestibular foi um sufoco, o coração só faltava sair pela boca. Agora estou 70% mais tranquilo'', confessou.
Sérgio Kuita, 24 anos, participou do primeiro vestibular indígena e está estudando agronomia na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Ele veio para acompanhar os amigos e disse que a integração com os outros estudantes foi muito boa. ''O mais difícil foi acompanhar as disciplinas'', comentou. Ele destacou que é muito importante essa oportunidade para a comunidade. ''Estamos carentes de profissionais, já sofri e sei da dificuldade.'' Por isso, a intenção de Sérgio e retornar para a comunidade kaigangue em Faxinal, onde foi criado.
Hoje os candidatos fazem provas de redação, matemática e língua estrangeira (inglês ou espanhol). Amanhã, os testes serão de biologia, física, química, geografia e história. Cada disciplina têm quatro testes de multipla escolha. Além da UEL e UEPG, eles podem entre as universidades de Maringá (UEM), Central do Estado (Unicentro), Oeste do Paraná (Unioeste) e do Estado do Paraná (Unespar), que pela primeira vez participa do processo.

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