Índios expulsos vão ser transferidos de reserva
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Alexandre Sanches Da Redação 
SÃO JERÔNIMO DA SERRA - O casal de índios, Celso Vargas, 39 anos e Nair Carriel Vargas, teve garantido o direito de permanecer na reserva indígena Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina), por mais 25 dias, até que sejam transferidos para outra reserva. A decisão foi tomada na sexta-feira, numa reunião informal envolvendo o promotor de Justiça de São Jerônimo, José Ricardo Alvarez Vianna, o casal, líderes das reservas indígenas do Norte do Paraná e Funai.
Celso e Nair foram retirados de sua casa no dia 14 pelo cacique Lasmo Rael e um grupo de sete homens. O casal disse que foi expulso em represália pelas denúncias feitas na Justiça Federal, no ano passado, de arrendamento de terras da reserva. Eles foram levados para a reserva de Pinhalzinho, em Quatiguá, mas retornaram no dia seguinte para a Barão de Antonina.
Segundo o promotor Vianna, na reunião ficou acertado que o casal, como outros índios que se disseram ameaçados, poderá ficar na reserva obedecendo às normas indígenas, até que sejam transferidos dentro de 25 dias. Esta transferência vai acontecer sem violência. Na reunião ficou claro que os índios foram retirados da reserva por insubordinação, disse o promotor.
Vianna também se comprometeu a estudar o Estatuto do Índio e verificar se no documento existe alguma norma que permita aos líderes indígenas punir membros da comunidade por insubordinação. Eu ainda não estudei a fundo, mas acredito que a punição é permitida, desde que sem violência. Devo dar uma resposta aos índios nos próximos dias, ressalta.
Sobre as acusações de arrendamento de terras da reserva, o promotor disse que o casal negou, diante das lideranças, que isso esteja acontecendo. No entanto, alertou na reunião que, caso haja novas denúncias de arrendamento, irá tomar os depoimentos e apresentar denúncia à Justiça Federal, responsável pelas decisões sobre as terras da União.


