Índios em pé de guerra
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Manoel Ribas - As eleições municipais viraram motivo de desavença entre os moradores da Reserva Indígena Ivaí, em Manoel Ribas (146 km ao sul de Apucarana). Cerca de 100 índios caingangues dizem que foram expulsos pelo cacique Ivo Borges Ninvaia porque não votaram no candidato a vereador indicado por ele. Morando de forma improvisada na Aldeia Faxinal, em Cândido de Abreu (191 km ao sul de Apucarana), eles prometem manifestações para a próxima semana caso não consigam voltar às suas casas.
Até o irmão do cacique, Orlando Borges Ninvaia, está entre aqueles que teriam sido expulsos. ''A política está presente nas aldeias. Nós temos o direito de votar em quem quisermos. Mas não é assim que acontece. Por eu ter votado em outro candidato, juntaram as minhas coisas, a minha mulher, colocaram tudo em um caminhão e levaram embora. Eu estava na cidade, quando cheguei me disseram que eu devia sair e ir para onde tinham levado minhas coisas'', denuncia o irmão do cacique.
O pivô da briga, segundo os índios que estão fora da Reserva Ivaí, seria Dirceu Pereira Santiago, que é presidente da associação que representa a reserva e foi candidato a vereador. Ele não conseguiu se eleger.
''Eu tinha uma lavourinha para plantar, agora não tenho mais nada. Nossos filhos estão sem escola e, por conta dessa expulsão, perderam o ano letivo. Além disso, nós temos documentos que comprovam que o cacique comprou um ônibus para a aldeia e registrou no nome dele, como pessoa física. Ele também arrenda 180 alqueires de terras da reserva e não dá explicação do dinheiro. Primeiro, eles tiraram quatro famílias da aldeia, depois, cortaram todos os benefícios das outras pessoas que não votaram no candidato do cacique. Dessa forma, esse pessoal se viu obrigado a sair também'', acusa Fernando Pereira Santiago, que é irmão do candidato a vereador.
O cacique Ninvaia admite que transferiu quatro famílias, mas nega que tenha sido por razões políticas. ''Isso é problema interno nosso. Bem antes da política eu estava sendo perseguido por eles. Já devia ter feito a transferência antes, mas tive paciência. Quem manda aqui sou eu, não são eles. Eles estão em outra aldeia e devem ficar sossegados por lá agora'', rebateu.
Sobre o ônibus comprado com dinheiro da Reserva e que está em seu nome, o cacique reconhece o fato e acrescenta que o caminhão que serve aos índios também está registrado em seu nome. ''Já estou providenciando para transferirmos para o nome da Reserva. Acontece que quando compramos os veículos, os documentos da associação que nos representa não estavam prontos'', responde.
Ninvaia também rebate as acusações de que não estaria revertendo o dinheiro dos arrendamentos de terras à comunidade. Em relação à possibilidade de retorno dos índios que saíram da reserva, ele diz que às quatro famílias transferidas cabe apenas esperar que vença a punição, que é de dois anos. Aqueles que saíram por vontade própria podem voltar, mas serão punidos, ficando na cadeia por um período que vai de cinco a 20 dias.
A reportagem procurou o índio que foi candidato a vereador, mas a informação na Reserva Ivaí é de que ele está viajando.


