Copel e líderes caingangues da Reserva Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), acertaram em reunião realizada ontem, que trocarão propostas sobre a revisão nos valores indenizatórios repassados à comunidade pela empresa, dona de uma pequena hidrelétrica instalada na área indígena desde 1949.

As negociações sobre o tema foram reiniciadas no último dia 9, após os índios impedirem, por 30 horas, a saída de funcionários da usina e da Funai da aldeia. Na ocasião, os índios reivindicavam o fornecimento imediato dos números sobre despesas, receitas e lucro líquido da unidade geradora nos últimos 22 anos.

Para abrigar a hidrelétrica em suas terras, os índios recebem apenas R$ 56 mil (pouco mais da metade deste valor é descontado pelo fornecimento de energia elétrica à aldeia) relativos ao contrato de arrendamento das terras. Agora, eles querem participação no lucro gerado pela usina.

O relatório com os dados da movimentação financeira da usina (mantidos em sigilo a pedido da Copel) foi entregue pelo gerente de produção Romano Laslowski ao cacique Moisés Lourenço, que ficou insatisfeito ao saber que o balancete continha apenas os últimos seis anos fiscais.

''Eles acham que nós somos bobos. Não somos'', interpretou Lourenço, não acreditando na explicação dos representantes da Copel, de que os valores médios não seriam alterados, já que não houve mudança na estrutura. A Copel alegou que os dados anteriores não podem mais ser resgatados. Romano chegou a afirmar na reunião que os documentos haviam sido incinerados.

O cacique considerou baixo os valores e se irritou ao saber que a Copel ainda não tinha uma proposta formalizada na reunião de ontem. ''Houve um mal-entendido. A Copel também imaginou que os índios fariam sua proposta hoje e, na verdade, eles querem, primeiro, uma proposta da parte da empresa'', afirmou José Gonçalves dos Santos, administrador regional da Funai que acompanha as negociações.

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