Índios desocupam sede da Funai
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terça-feira, 09 de fevereiro de 2010
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os cerca de 170 índios que estavam acampados no prédio da administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Londrina desocuparam na tarde de ontem o imóvel, localizado na Avenida Celso Garcia Cid (Área Central) e seguiram para Ortigueira (Norte), onde devem acampar à beira do Rio Tibagi, próximo ao local onde está sendo construída a Usina Hidrelétrica Mauá. O prédio da Funai havia sido ocupado há mais de um mês, em protesto ao decreto federal 7.056, que prevê a reestruturação do órgão, e foi desocupado dois dias depois que uma mulher foi atingida por uma pedra ao passar pelo local com o namorado. Erica Pedrão de Brito, 34 anos, sofreu traumatismo craniano e encontra-se em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico.
Ontem o namorado de Erica, Anderson Batista Ambroziak, que dirigia o Fusca atingido pelas pedras, informou que o casal voltava de um churrasco, por volta de 1 hora de sábado, quando, ao passar pela avenida, ouviu o barulho de um objeto atingindo a parte de trás do carro. A Érica que percebeu que havia umas pessoas em frente ao carro e logo se formou uma aglomeração de gente jogando pedras em nós. Quando vi que ela tinha sido machucada a minha reação foi acelerar o carro e tentar sair dali o mais rápido possível, contou. Ele parou o veículo cerca de 200 metros adiante e teve a ajuda de um motorista de ônibus para pedir socorro.
Ambroziak disse que não havia qualquer tipo de sinalização ou barreira que alertasse os motoristas para a presença dos índios no local. Nem sabia que a Funai ficava ali e não sabia da manifestação deles. Eu não tenho nada contra eles, mas foi uma violência gratuita. O que eles fizeram ali não foi para assustar, foi uma tentativa de homicídio. A família, que disse ter conseguido registrar o boletim de ocorrência só na manhã de ontem porque, a princípio, foi informada que questões envolvendo índios são de responsabilidade da Polícia Federal, deve entrar com uma ação contra os responsáveis pela agressão.
Entre os poucos indígenas encontrados no escritório da Funai ontem à tarde estava a estudante guarani Valéria Jacinto, filha do administrador do órgão na cidade, Mário Jacinto. Ela contestou a informação de que o casal não tenha sido alertado para o bloqueio. Eu pedi para ele voltar, disse que por ali ele não conseguiria passar, mas ele acelerou e foi. Se ele tivesse parado, com certeza não teria acontecido o que aconteceu.
A jovem contou que cerca de duas horas antes, quando estavam todos na calçada por causa do calor, um veículo passou em alta velocidade e quase atropelou uma criança. As lideranças passaram então a pedir que os motoristas reduzissem a velocidade. Mais tarde um garoto foi baleado, disse a estudante, admitindo que quando Anderson e Érica passaram pelo local os ânimos estavam exaltados. Ontem o adolescente baleado, de 14 anos, não encontrava-se mais no local. Ninguém soube dizer de onde partiu o tiro que o atingiu na perna.


