Índios denunciam líder e são expulsos
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Alexandre Sanches Da Redação 
SÃO JERÔNIMO DA SERRA - Um casal de índios da reserva indígena Barão de Antonina (95 quilômetros ao sul de Londrina) foi expulso da área na última sexta-feira, pelas lideranças da reserva. Celso Vargas, 39 anos, e Nair Carriel Vargas foram retirados à força de sua casa, amarrados e levados para a cadeia montada pelos líderes, onde permaneceram presos durante um dia. A ameaça de expulsão atinge outras oito famílias que são contrárias aos arrendamentos de parte da reserva para fazendeiros da região. Todas moram na Gleba do Cedro.
Informado do problema, o administrador interino da Funai em Londrina, Juventino Domingos Aco, disse que não pode fazer nada. Vou tentar mediar este conflito familiar reunindo os índios e chefes das reservas. Mas este é um problema interno dos índios, afirmou. Esta não é a primeira vez que índios são presos na reserva e recorrem à Funai. A primeira prisão aconteceu em junho, quando o grupo denunciou o arrendamento de terras à Funai e à Justiça Federal.
Segundo Celso Vargas, sua prisão e expulsão aconteceu a mando do cacique Lasmo Rael. Ele afirma que o cacique e mais oito homens invadiram sua casa na sexta-feira de manhã, amarraram ele e a esposa com cordas e os levaram para a cadeia. Ele alega que começou a ser perseguido e ameaçado pelo cacique desde a denúncia à Justiça Federal. Na época, por ordem da Justiça, o arrendamento foi desfeito.
O casal foi liberado com a intervenção do presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lourival de Oliveira, que usou um carro da Funai para levar Celso e a mulher para Londrina. No sábado, eles foram transferidos para a reserva de Pinhalzinho, em Guapirama (55 quilômetros ao sul de Jacarezinho). Não deixaram nem minha mulher ir em casa buscar roupas e a criação, diz.
No domingo, Vargas e sua família deixaram a reserva de Pinhalzinho. O casal está parado numa rua do patrimônio de São João do Pinhal, em São Jerônimo da Serra. Os poucos móveis e roupas estão amontoadas na rua, sem proteção. Os índios em Pinhalzinho disseram que eu tinha direito de voltar para a minha reserva, ressalta. Vargas é guarani e nasceu na Barão de Antonina.
Novas denúncias A índia Isabel Rodrigues Amaro denunciou esta semana que também está sendo ameaçada pelas lideranças da reserva Barão de Antonina. Ela participou do grupo que denunciou o arrendamento de terras indígenas para fazendeiros da região. Isabel afirma que a Funai não está fazendo nada para intervir no caso, porque, segundo ela, está comprometida com os índios.
Não somos as primeiras pessoas a ser expulsas da reserva. Ameaçam matar adultos e crianças se continuarmos morando ali. Eu não quero deixar a Barão de Antonina porque eu tenho muita coisa ali. A história da minha vida está ligada a ela, diz.
A denúncia de Isabel inclui seu próprio irmão e ex-presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, João Maria Rodrigues, o Tapixi; o chefe do posto indígena, Luiz Alan Vãn-Fy Juvêncio; e o vice-cacique Ildo Ferreira. Ela afirma que todos possuem um grau de parentesco e são os responsáveis pelas prisões na reserva. O presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lourival de Oliveira não foi encontrado para falar sobre o assunto.


