De acordo com a história oral da aldeia, reproduzida desde os mais velhos da tribo até as novas gerações, havia apenas cinco famílias no Posto Velho quando o governo decidiu transferir (segundo eles, sobre pressão dos colonizadores) sob o pretexto de uma epidemia (há relatos de um surto de malária e outros de gripe espanhola) que assolou a região. ''Na época, nós fomos enganados'', afirma o cacique Sampaio, referindo-se ao antigo Serviço de Proteção ao Índio, que teria transformado uma decisão provisória em definitiva.
Se o processo de devolução for concretizado, os guaranis terão duas parcelas de terras separadas por 30 quilômetros de uma estrada não pavimentada. A atual, de 284 hectares, deverá ser esvaziada. ''Temos a intenção de reflorestar a maior parte da área''.
A parcela que será devolvida, de 4,5 mil hectares, deve ser suficiente para receber pelo menos mais 30 famílias (150 pessoas) guaranis que já demonstraram interesse em se juntar a comunidade, formada hoje por 60 famílias. Estas famílias repatriadas saíram da aldeia devido à escassez de terra, sustenta o cacique.
Há expectativa entre os guaranis de manter o perfil de agricultura intensiva que hoje toma conta do Posto Velho. Querem sair da era do cultivo de subsistência e avançar para a agricultura comercial. (L.F.M.)

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