Índios defendem o fim da Funai em Curitiba
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sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Curitiba 
Um grupo de índios, liderados pelo presidente do Conselho Indígena de Guarapuava, Pedro Cornélio Seg-Seg, está defendendo a extinção da Administração Regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Curitiba. Eles dizem que o órgão tem 60 funcionários para atender 120 índios e que o dinheiro usado para manter essa estrutura poderia melhorar a assistência às aldeias. O assunto será discutido hoje na reserva de Marrecas, a 45 quilômetros de Guarapuava, durante um encontro de caciques e lideranças de 17 reservas do Paraná.
Até 1992, a estrutura da Funai em Curitiba funcionava como superintendência, abrangendo cinco estados e cinco administrações regionais. Com a extinção da superintendência, Curitiba passou a sediar uma das três administrações regionais do Paraná (as outras estão em Londrina e Guarapuava), com jurisdição apenas sobre os índios do litoral.
Algum tempo depois, assumiu também o atendimento às aldeias do Litoral de Santa Catarina. Segundo o administrador regional, Sérgio Campos, hoje existem 34 funcionários para assistir cerca de 1.500 índios. Mas o grupo que defende a extinção acha que o atendimento a aldeias de Santa Catarina é apenas uma maneira de justificar a existência do órgão. Sua manutenção só interessa a ociosos, diz um documento que os índios pretendem enviar à presidência da Funai.
Para Campos, a proposta de extinção esconde interesses políticos. Ele diz que os índios estão desinformados e que há estudos para transformar a administração num pólo regional.
O encontro também vai discutir a recuperação da terra indígena Boa Vista, em Laranjeiras do Sul. É uma área de 11 mil hectares, onde viveram índios caingangues até a década de 60, hoje ocupada por fazendas e um assentamento de sem-terra. A Funai está providenciando uma perícia na área. Os índios dizem que foram expulsos mediante ameaças e querem ser indenizados ou retomar o direito de posse.


