Com um pedido milionário de indenização - mais de R$ 70 milhões -, os caingangues da Reserva de Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), decidiram retomar ontem as negociações para a revisão no contrato de arrendamento feito há 22 anos com a Copel, que mantém uma pequena hidrelétrica próximo à aldeia.

A empresa desativou a central elétrica por 16 dias, alegando clima tenso na aldeia e risco à integridade física dos funcionários, que no início do mês passado foram impedidos pelos índios de deixar a reserva e voltar para casa. No sábado, a Copel avaliou que houve redução na tensão do ambiente indígena e decidiu fazer a usina operar normalmente. Desde então, os funcionários não foram hostilizados.

Em 29 de agosto, a Copel aceitou, em proposta para a Funai, reajustar em 11% os valores do arrendamento que era de R$ 56 mil, embora mais da metade fosse descontado pelo fornecimento de energia elétrica à aldeia. Também decidiu alterar a periodicidade do repasse, que passaria a de anual para mensal.

A contraproposta dos caingangues foi protocolada ontem na sede da Copel. Os índios querem R$ 71,28 milhões pelos danos culturais e ambientais provocados na vigência do contrato. Segundo o advogado da comunidade, César Bessa, os índios calcularam o pagamento de um salário mínimo para cada um dos 1,5 mil moradores da aldeia nos últimos 22 anos. Eles querem também um reajuste considerável no atual valor do arrendamento. Pela proposta seriam repasses mensais de R$ 46 mil, reajustados pelos índices oficiais de inflação.

Se não for aceita a proposta, os índios se propuseram a aceitar a formação de uma comissão para avaliar danos à aldeia pela usina, mas querem os trabalhos concluídos em no máximo quatro meses.

A Copel tem prazo de cinco dias para responder a proposta. A Folha apurou que a empresa está disposta a analisar todos os pontos e marcar uma reunião.

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