Londrina

Milton DóriaVizinhos do Marco ZeroAcampamento de índios na vila Fraternidade: venda de artesanato, alcoolismo e condições precárias Funai diz que não quer tratar os acampadoscom paternalismoCerca de dez famílias indígenas vindas de reservas caingangue e guarani do município de São Jerônimo da Serra - 100 km ao sul de Londrina - ocuparam, nas últimas semanas, um terreno particular na vila Fraternidade (zona leste). As barracas de lona e madeira foram erguidas ao lado da mata do Marco Zero - considerado o ponto de chegada dos pioneiros a Londrina - e abrigam cerca de 20 adultos e 30 crianças.
Sem água encanada, sem energia elétrica e sem instalações sanitárias, os índios sobrevivem em péssimas condições de higiene e saúde. Ganham algum dinheiro com a venda de artesanatos, mas estariam vivendo de maneira ainda pior se não recebecem a doação de alimentos e agasalhos dos vizinhos brancos, moradores da Fraternidade.
O índio caingangue José Pereira, que se diz líder do grupo, é arredio, de poucas palavras. Aparentando ter consumido bebida alcoólica, ele diz que veio para a Cidade porque as condições da reserva de São Jerônimo são muito ruins. ‘‘Aqui está melhor. Não falta nada para nós, não’’, comenta, lembrando que técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) aparecem no acampamento para prestar ajuda, de vez em quando.
O administrador regional da Funai em Londrina, Jacinto Domingos Aco, confirma que os índios vieram de São Jerônimo para vender artesanato. ‘‘O problema é que uma minoria deles toma muita bebida alcoólica e não quer mais voltar para as reservas. São uns poucos índios desajustados e que não querem trabalhar nas comunidades deles’’, explica.
De acordo com Jacinto Aco, o trabalho de Funai tem sido na tentativa de convencer os índios mais problemáticos a passar por tratamento médico contra os efeitos do álcool e, depois de recuperados, voltar para as reservas de origem. ‘‘Temos obtido êxito em muitos casos, mas este trabalho educativo e de convencimento é duro e leva tempo para surtir efeitos positivos’’, garante o diretor da Funai. ‘‘O que não podemos é dar tudo de que o índio tem necessidade aqui na Cidade de forma paternalista. Daí, ele vai gostar, se acomodar, e não volta mais mesmo para a reserva.’’

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