Cerca de 60 índios caingangue da Reserva Apucaraninha, de Tamarana, ocuparam ontem pela manhã o prédio da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), na Vila Sian (Zona Leste de Londrina). Eles exigiam um veículo novo para o transporte de pacientes da Reserva até os hospitais de Londrina, alegando que o carro utilizado para o serviço está quebrado há quase dois meses. A ocupação aconteceu por volta das 9 horas, quando vários funcionários estavam no prédio trabalhando. Eles evitaram falar com a imprensa e não confirmaram se houve qualquer tipo de ameaça.
Enquanto os cômodos do prédio eram ocupados por homens, mulheres e várias crianças, um pequeno grupo liderado pelo cacique Juscelino Vergílio negociava pelo telefone, a portas fechadas, com o chefe da Funasa de Curitiba, Sérgio Pozzeti. Ele atendeu a reivindicação dos índios e garantiu que amanhã, às 16 horas, os índios receberão uma camionete cabine dupla na própria Reserva.
Por telefone, Pozzeti informou à reportagem da Folha que ficou surpreso com a ocupação do prédio e que não havia sido informado sobre o problema com o carro. O veículo que atendia a Reserva é da prefeitura e será encaminhado para conserto.
Pozzeti informou ainda que três veículos foram liberados por Brasília no período da eleição, para serem encaminhados às reservas do Paraná. ''Fizemos uma lista de prioridades, que não contemplaria agora a Reserva Apucaraninha, mas vamos atender a reivindicação deles primeiro''. Ele afirmou que a liberação do carro não tem ligação com a ocupação do prédio. ''Independente da ocupação, atenderíamos o pedido deles''.
O chefe da Funasa não soube informar quais eram as reservas mais necessitadas e que estavam na lista de prioridade. ''Vamos fazer uma reunião com os representantes da aldeia que seria beneficiada antes e explicar a situação. Encontraremos uma forma de resolver esse problema''.
A Funasa atende em todo o Paraná 44 aldeias, sendo 22 sedes e 22 satélites (aldeias menores). No total, 27 veículos estão distribuídos nas aldeias sedes, que fazem também o atendimento nas demais. Só em Londrina são nove aldeias. ''Não faltam veículos. O problema é que alguns estão sucateados'', informou Pozzeti.

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