Índios com medo querem mudar de área
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domingo, 16 de novembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Mário CesarA terra é nossaEx-posseiros e irmãos João Rodrigues e Maria Olívia garantem: índios estão na área por questões políticasAs famílias de índios caingangues da reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (100 km ao sul de Londrina), estão pedindo à Fundação Nacional do Índio (Funai), em Londrina, a transferência para outra área. O motivo são as constantes invasões de ex-posseiros na Gleba do Cedro, área da reserva próxima ao distrito de São João do Pinhal, onde os invasores têm acesso fácil.
O administrador da Funai em Londrina, Joventino Domingos Aco, disse que os índios querem sair da reserva com medo de novos conflitos. Nos últimos meses, o administrador da reserva, Luiz Alan Vãn-Fy Juvêncio, o cacique Lasmo Rael e o ex-presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, João Maria Tapixi Rodrigues, foram transferidos para outras áreas.
Eles estavam sendo ameaçados de morte pelos invasores e não aguentaram a pressão, comentou. Em julho, os invasores, armados, deram vários tiros contra a casa de Tapexi e depois atearam fogo, acirrando ainda mais os ânimos entre as partes. Foram abertos inquéritos Civil e Federal para apurar as agressões. Aco acredita que os invasores ficarão algumas semanas sem incomodar os índios. Todos eles possuem imóveis, carro. Não são sem-terra e insistem em querer ficar ali, argumentou.
IncertezaCacique Reginaldo Batarse: futuro incerto
Na primeira invasão, em janeiro de 96, cerca de 100 famílias ocuparam uma área de pastagem na Gleba do Cedro. Alguns dos invasores moraram na reserva até a década de 80, quando o governo federal os retirou para fazer a demarcação. Eles se julgam no direito de ficar na gleba por terem morado ali várias décadas. Mesmo com a Funai apresentando o decreto assinado em 1991 pelo presidente Fernando Collor de Mello e a Justiça Federal dando ganho de causa à União, as famílias insistem em querer lotes na reserva.
Para o assessor especial para Assuntos Indígenas do governo do Estado, Edívio Battistelli, os ex-posseiros terão que ressarcir os prejuízos causados à reserva. As três casas custaram ao governo e Funai R$ 63 mil. Isso, fora os outros estragos causados por eles. O Estado quer defender o direito do índio de ficar na terra que é da União, garantiu.
Reintegração No dia 23 de outubro, a Polícia Federal cumpriu mais uma reintegração da área - ocupada pela sexta vez em menos de dois anos -, retirando 12 famílias de ex-posseiros, entre elas duas famílias de caingangues que foram expulsas este ano da reserva. Quando as autoridades saíram da área, alguns invasores retornaram e colocaram fogo em duas casas - construídas pelo governo do Estado para funcionar como posto de fiscalização - e em um reflorestamento de eucaliptos da comunidade.
Sem voltaÍndia Eloína Porfíria: expulsa da reserva
A Justiça Federal expediu mandados de prisão contra os possíveis líderes das invasões, mas somente Expedito Belo dos Santos foi preso. Estão sendo procurados Ademilson da Silva Cruz, conhecido como Nego Saruê, Jorge Gomes da Cunha, Adão Filho, Antônio Luis Gomes e Waldemir Rodrigues de Souza. Gomes, Souza e Santos foram presos em dezembro, acusados de incitar a invasão na reserva, com o apoio do vice-prefeito de São Jerônimo da Serra, Manoel Rocha Rodrigues, acusado de ter acobertado os invasores e dado alimento e abrigo.
A Folha não conseguiu localizar no distrito de São João do Pinhal os invasores com mandado de prisão decretado. Moradores afirmaram que eles são vistos todos os dias, mas familiares negam isso, justificando que eles desapareceram da região quando a Polícia Federal começou a procurá-los. Quando estão aqui, é só aparecer um carro ou pessoas diferentes que eles fogem. Faz três dias que eu não vejo o meu marido, comentou Rosana Batarsi Gomes, 33 anos, mulher de Antônio Gomes.


