Umuarama - Famílias indígenas estão se mudando para Umuarama atraídas pela possibilidade de receber ajuda do Grupo de Apoio à Causa Indígena (Gaci) e da prefeitura. Desde que o município resolveu socorrer a xetá Maria Rosa Brasil Tiguá, 52 anos, que estava na miséria, pelos menos quatro famílias indígenas se mudaram para Umuarama na esperança de também conseguir moradia e trabalho.
O casal caingangue Adão Martins e Dorvalina Machado, da reserva de Laranjeiras do Sul, no sudoeste do Estado, chegou terça-feira com um filho de seis anos. Sem bagagem e sem dinheiro, a família procurou abrigo no SOS e está se alimentando na casa de Tiguá. Visivelmente embriagado, Adão disse ontem que não consegue trabalho em Laranjeiras do Sul e veio para Umuarama para tentar vender artesanato na rua seguindo a trilha de outros membros de sua tribo. A migração começou no final do ano passado, quando o índio caingangue Luis Cabam, de Uraí (RS) veio com a família para vender artesanato em Umuarama. Em abril, a prefeitura contratou Luiz para dar palestras nas escolas durante as comemorações do Dia do Índio.
Outras duas famílias que moravam em Mato Grosso do Sul, parentes de Tiguá e da índia guarani Anastácia Vilawa, também vieram para a cidade. Segundo um membro do Gaci, que não quer se identificar, a comunidade doou alimentos e roupas, mas os índios teriam começado a criar problemas e a fazer exigências. O auxílio foi cortado e todos acabaram voltando para suas cidades de origem.
O presidente do Gaci, Adriano Pereira Lopes, disse que o grupo foi criado para ajudar Tiguá, um dos oito sobreviventes da tribo Xetá que vivia na região e foi dizimada durante a colonização. Ano passado, Tiguá estava doente, desempregada e chegou a passar fome. Agora a índia está trabalhando no museu do bosque Xetá e recebe R$ 200 por mês, uma subvenção repassada pela prefeitura ao Gaci. Mês passado, o grupo ajudou a negociar a doação de uma casa para Anastácia Vilawa, a índia guarani que também mora em Umuarama há 27 anos. Segundo Lopes, o Gaci não tem estrutura nem verba para ajudar os outros índios que estão vindo para a cidade.

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