Índios da Reserva de Mangueirinha, no município do mesmo nome (76 km ao norte de Pato Branco, no Sudoeste do Estado), mantêm a interdição de trecho da BR-373, nas proximidades da PR-281. A causa do protesto é a revolta com o que eles classificam de ‘‘falta de assistência’’ por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai). A rodovia interditada passa pela reserva e faz a ligação com o Sul do Estado.
Os índios só estão liberando a passagem de carros policiais e do serviço de saúde. Demais viajantes são obrigados a buscar rotas alternativas. Segundo o guarani João Vaz, 43 anos, que trabalha para a Funai, o protesto iniciado segunda-feira não tem prazo para acabar.
A reserva, com 1,6 mil guaranis e caingangues, é a segunda maior do Estado - Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, com 2,6 mil habitantes, é a maior do Paraná). Segundo João Vaz, há meses a Funai não paga contas de medicamentos e combustível, que ultrapassam os R$ 80 mil. A dívida é com uma farmácia e um posto de Mangueirinha, que suspenderam o fornecimento.
O cacique guarani Valdir José Luiz dos Santos, 23 anos, um dos mais jovens entre todos os chefes de reservas no Estado, já havia liderado no início do ano um bloqueio na mesma rodovia, também reclamando por melhor assistência da Funai.
Além da falta de remédios, os cinco carros utilizados para serviços na reserva estão parados por não terem combustível. Os índios também querem sementes e máquinas agrícolas para o plantio de lavouras de subsistência. O chefe do posto da Funai Izaltino Serpa justificou que nada pode fazer, porque a solução depende de seus superiores.
A Reserva de Mangueirinha, com 17.308 hectares, onde está a maior concentração de araucária do mundo (120 mil árvores), já sofreu invasões por colonos vizinhos e exploradores de madeira. Mas hoje os próprios índios têm sua patrulha e guaritas em pontos-chave.

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