Índios ameaçam prefeitos que não repassam ICMS ecológico
Érika Pelegrino
De Londrina
As lideranças indígenas do Paraná estão se mobilizando para boicotar os 23 prefeitos dos municípios do Estado que têm reservas indígenas em seus limites e não estão cumprindo a lei estadual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Ecológico. A decisão foi tomada em reunião realizada na Reserva de Apucaraninha, em Tamarana (62 km de Londrina), pelos representantes dos conselhos indígenas do Paraná, Pedro Cornélio Seg-Seg e Lourival Ren Vanh de Oliveira.
Segundo Seg-Seg, que é também vice-presidente do Conselho Nacional dos Povos Indígenas, com sede em Brasília, será feita uma campanha durante o ano junto às lideranças indígenas e o restante da comunidade no sentido de fazer com que os índios boicotem estes prefeitos nas eleições.
Queremos denunciar à população o desrespeito a uma lei estadual, afirmou Seg-Seg. Ele se refere a lei estadual aprovada em outubro de 1999 que obriga os municípios que recebem o ICMS ecológico, destinado às prefeituras que têm áreas indígenas em seus limites, a reverter 50% do valor repassado pelo governo estadual em investimentos que beneficiem as reservas.
Para se ter uma idéia de valores, no ano passado foram repassados a estes municípios R$ 2,1 milhões, afirmou. Nós já estamos em março e as prefeituras ainda não manifestaram que investimentos farão nas reservas, complementou.
Segundo ele, o governo estadual repassa o ICMS ecológico aos municípios desde 1994. A lei de outubro do ano passado foi criada para determinar que as prefeituras invistam parte destes recursos nas reservas, explicou. O Paraná conta com 17 reservas indígenas que ocupam uma área de 85,2 mil hectares. Na região de Londrina, segundo Seg-Seg, são cinco reservas com três mil índios.
O secretário da Fazenda de Londrina, Jair Gravena, afirmou ontem à Folha que o município não recebe o ICMS ecológico. Recebi estes dias um documento falando sobre determinação de investir parte deste recurso nas reservas. Mas a prefeitura de Londrina já fez investimentos como o Centro de Atendimento Indígena sem nem mesmo receber este ICMS ecológico, explicou.





