Índios aceitam proposta da Copel de R$1,5 mi
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terça-feira, 24 de março de 2009
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Os índios caingangues da aldeia Barão de Antonina, de São Jerônimo da Serra (Norte) aceitaram ontem a proposta da Copel pela utilização da área. A comunidade indígena irá receber R$ 1,5 milhão, mas como o valor será será corrigido pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), poderá chegar a R$ 1,8 milhão. Os índios exigiam R$ 3,5 milhões e chegaram a manter reféns três funcionários da Copel. Eles foram libertados anteontem à noite.
A reunião, realizada ontem à tarde, em Londrina, teve a participação de índios, de representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Copel, além do do procurador da República José Mauro Luizão. De acordo com o procurador, havia um impasse sobre uma área de preservação permanente utilizada pela Copel e que a companhia questionava se era passível de indenização. Mas o impasse foi resolvido.
''A maior parte desse valor será depositada pela Copel numa conta da comunidade e será utilizada em projetos ambientais, sociais e econômicos. O restante será distribuído para as famílias, mas tudo fiscalizado e acompanhado pelo próprio Ministério Público, Funai e também pela Copel'', disse.
O chefe do posto da Funai na aldeia, Castorino Almeida, que também mora na aldeia, disse que a comunidade ficou satisfeita com o valor. Ele afirmou que os índios ''prenderam'' os funcionários para que a reunião acontecesse logo.
''Tudo estava muito enrolado e demorado, então fizemos isso. para ser resolvido então fizemos isso, mas todos eles foram tratados muito bem. Não nos arrependemos de ter feito isso, tanto é que deu resultado'', comentou.
O funcionário da Copel, o sociólogo Alexandre Húngaro da Silva, um dos ex-reféns, confirmou que foi bem tratado pelo índios. ''Foi tudo tranquilo. Eu acho que o Estado precisa melh orar as políticas públicas para os índios e entendo a condição deles. Não acho que foi um crime o que eles fizeram'', disse.
A insatisfação dos índios surgiu depois que uma reunião marcada para aconteceu no último dia 18 com representantes da Copel e Funai foi concelada. No dia 19, eles decidiram prender os irmãos José Almir e Valmiron Quintanilha. No dia seguinte, o sociólogo também foi feito refém.
Ainda segundo o chefe do posto, a comunidade decidiu afastar o cacique Alexandre Almeida para que não houvesse ''confusão'' durante esse processo de negociação. ''Agora ele volta a ser nosso cacique e tudo vai voltar ao normal'', disse.
Além do valor acordado de R$ 1,5 milhões, a Copel já paga aos índios R$ 29 mil por ano pelo uso de uma área de 35,8 hectares onde estão instaladas torres de transmissão de energia.


