Índio na pele, branco na educação, o policial militar Tiquen Xetá pretende ainda repassar para os filhos, Fagner e Aline, o que lembra de seu passado. Mesmo não sabendo a língua e os costumes xetás, Tiquen considera importante que seus filhos redescubram as tradições de seus ancestrais. ‘‘Pretendo levar mais vezes os meninos para visitar os tios nas reservas’’, afirma ele, que trabalha na Delegacia de Pitanga e vive a mais de 40 quilômetros, em Nova Tebas.
Ainda bebê, foi retirado da família para ser educado pelo funcionário do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), João Rozo Menezes, hoje administrador da Funai em Guarapuava. ‘‘O que sei dos meus pais e de meus costumes foram repassados pelos familiares’’, diz. Tiquen tem um irmão, Rondon Xetá, que trabalha como enfermeiro em Xanxerê, Santa Catarina.
Como Menezes, o pai de criação de Tiquen, era funcionário da Funai, ele passou a acompanhá-lo pelos postos onde serviu. Com isso, não se afastou dos costumes indígenas. Através de Menezes e de seus tios, ele soube o que aconteceu com sua tribo. ‘‘Sei que todos foram mortos de maneira cruel. Muitos foram envenenados pela comida que lhes era dada’’, afirma.
Tiquen teve maior contato com seu irmão e seu pai de criação. Com os tios e primos, ele se encontra casualmente nas férias. Deles, ganhou uma pulseira com miçangas, que contrasta, junto com os furos na orelha, com a farda da Polícia Militar.
O policial afirma que vive bem na cidade e não sente falta da aldeia. Para ele, a falta de seus costumes seria maior se os tivesse vivenciado mais. Porém, Tiquen não acha que eles devam ser extintos.

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