A polícia de Cruzmaltina (86 km ao sul de Apucarana) prendeu anteontem os trabalhadores rurais Jorge Rodrigues da Silva, o ‘‘Jorge Preto’’, e Adão Bispo de Souza, ‘‘Dãozinho’’, ambos com 18 anos, que confessaram ter matado o índio José Bigui, 60 anos, e agredido e violentado o agricultor José Monteiro, 49 anos, na madrugada de domingo. Os dois foram autuados em flagrante por atentado violento ao pudor e homicídio.
O crime aconteceu no distrito de Vila Diniz e, segundo a polícia, os dois acusados mataram o índio, que era surdo-mudo, porque ele presenciou a agressão ao agricultor. Ontem, Monteiro continuava internado em estado grave no Hospital São Luiz, em Faxinal (76 km ao sul de Apucarana). Ele teve traumatismo craniano.
Os dois acusados são funcionários da Fazenda Tormenta. No sábado à noite foram para o distrito e começaram a beber, por volta das 21 horas. Já passava das 2 horas de domingo quando Adão e Jorge compraram uma bebida conhecida como ‘‘coquinho’’ e foram para a praça da igreja. Cerca de 30 minutos depois, eles viram o agricultor José Monteiro, também bêbado, que passava pela praça. Eles agarraram e bateram em Monteiro, cortaram os fundos da calça dele com uma faca e começaram a violentá-lo.
O índio José Bigui, que morava há vários anos com a família Trisotti no distrito, viu a cena e correu em direção a uma construção. Perseguido, ele se trancou na obra, mas Jorge pulou por cima de uma parede sem cobertura e esfaqueou o índio, que morreu no local com quatro facadas no tórax. Antes de voltarem para casa, Jorge e Adão jogaram Monteiro em uma plantação de soja. A polícia de Cruzmaltina foi acionada na manhã de domingo, por volta das 9 horas, quando o corpo de Bigui foi localizado.
O soldado Leoncio Aparecido de Oliveira, da Polícia Militar, conta que foi até o distrito com o delegado Paulo Pastore. Depois de encaminhar o corpo para perícia, Oliveira disse que começou a colher informações, quando descobriu que dois jovens haviam ficado na rua bebendo na praça da igreja próximo ao local do crime. Ao identificar os dois, ele saiu para a fazenda onde Adão e Jorge moram e trabalham. ‘‘Foi quando ficamos sabendo que Monteiro estava em casa, muito machucado’’, revelou o soldado Oliveira.
Com o nome dos dois suspeitos nas mãos, ele chegou na fazenda e abordou outro Jorge, irmão de Adão, que garantiu não ter saído da propriedade no sábado. O Jorge autor do crime conseguiu fugir. Adão foi localizado em Faxinal na casa de parentes e depois de ser preso confessou o crime.
‘‘Só através dele ficamos sabendo que Monteiro foi violentado e as razões da morte de Bigui’’, disse Oliveira. Por volta das 23 horas de domingo, a polícia recebeu informações que Jorge estava andando por uma estrada da região, onde foi preso e também confessou o crime. Os dois estão presos em Faxinal por precaução, por causa da revolta dos moradores do distrito.

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