O índio caingangue João Batista Adolfo, 36 anos, da reserva Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), foi julgado ontem em Londrina por homicídio e condenado a 10 anos de reclusão, em regime semi-aberto. O crime aconteceu no dia 1º de junho de 1991, por volta das 23 horas, na estrada próxima à reserva. Adolfo matou com golpes de foice José Amado Pirã My e Manoel Nerog So Alfredo, ambos caigangues.
O réu também feriu gravemente a índia Joana Gykaya, mas os jurados consideraram Adolfo isento de pena pela tentativa de homicídio. Na hora do crime todos estavam alcoolizados e haviam saído de um bar, à beira da estrada.
O advogado de defesa Derli Cardoso Fiúza, de Curitiba, há 15 anos trabalhando com a Funai, vai recorrer da sentença. Fiúza entende que houve contradição na decisão dos jurados, já que condenaram Adolfo pelas mortes e absolveram pela tentativa de homicídio.
Enquanto aguarda o recurso da sentença, Adolfo vai ficar na reserva caingangue de Ortigueira, onde vive desde a época do crime, depois que foi banido da reserva Apucaraninha. De acordo com a sentença, durante o dia Adolfo fica na aldeia e à noite recolhe-se em um posto da Funai.
Para o juiz João Luiz Cleve Machado, a legislação deve rever a questão da imputabilidade do índio. Segundo ele, respeita o veredito dos jurados mas em função da cultura,o ‘‘índio não consegue viver em cárcere’’, afirmou.
A antropóloga Kimie Tomazino, de Londrina, explicou que a Constituição Federal determina que se respeite a cultura do índio e que o crime deve ser analisado da perspectiva da cultura indígena.
O Tribunal do Júri julgou mais dois crimes essa semana. Na segunda-feira, o empresário Eduardo Kalil Issa, 60 anos, dono do Hotel Firenze, foi condenado a 18 anos de prisão pelo assassinato de Doraci Lopes Leal, 36 anos. O crime aconteceu em 94. Também foi condenado a nove anos de cadeia o réu Donizete Lino de Faria, pela morte de Osmar Lino de Faria. Ambos vão recorrer da sentença em liberdade.