O principal suspeito da morte do índio caingangue Paulo Xavante é o também caingangue Valdir Domingos. A informação é do administrador substituto da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Londrina, José Gonçalves dos Santos. Testemunhas dizem que Domingos, de aproximadamente 20 anos, está foragido.
Paulo Xavante, que tinha cerca de 30 anos, foi morto em um acampamento indígena montado na Via Expressa, nas proximidades do 4º Distrito Policial (zona sul de Londrina). O delegado de plantão que atendeu a ocorrência, Edson Casagrande, acredita que ele tenha levado um golpe fatal na cabeça com um pedaço de chapa de fogão, encontrado perto do corpo.
A morte de Paulo Xavante foi um dos dois assassinatos que aconteceram sábado à noite. O outro aconteceu no conjunto Vivi Xavier (zona norte). Valdir Domingues Fernandes, 41 anos, morreu com um golpe de faca no tórax. O principal acusado é o cunhado dele, Roberto Aparecido Bueno (ver matéria nesta página).
José Gonçalves, da Funai, não sabe a razão da briga entre os índios. Ele diz que, segundo informações de testemunhas, Paulo Xavante estava alcoolizado. Conforme o administrador susbtituto da Funai, a vítima era da reserva de Guarapuava, mas morou quatro anos na reserva de Apucaraninha, no município de Tamarana. Foi expulso de Apucaraninha, mas deixou mulher e filho no local.
Gonçalves comenta que Xavante já podia ser considerado um ‘‘índio da cidade’’, porque vivia há bastante tempo em Londrina. Já Valdir Domingos vive na reserva de Apucaraninha e passava alguns dias em Londrina para comercializar artesanato. ‘‘Na época da entressafra, os índios vivem da comercialização de artesanato na cidade’’, explica o administrador da Funai.
O cacique Jucelino Virgílio, da reserva de Apucaraninha, esteve em Londrina conversando com os índios acampados na Via Expressa. Gonçalves lembra que a comunidade caingangue também faz sua própria investigação e submete o culpado a uma penalização, que pode ser a expulsão da reserva.
José Gonçalves explica que o acampamento da Via Expressa é um local usado pelos índios que vêm à Cidade vender artesanato. Na opinião dele, se houvesse no acampamento, no momento do crime, uma liderança caingangue forte, o assassinato não teria acontecido. Ele explica que hoje há muitos índios na Cidade devido à proximidade da Festa do Dia do Índio, que acontece na Reserva em 19 de abril. ‘‘Eles querem ganhar dinheiro para a festa’’, diz Gonçalves.
Pela localização do acampamento, as investigações seriam feitas pelos policiais do 4º Distrito Policial. Mas como se trata de um crime envolvendo índios, o inquérito será realizado pela Polícia Federal. Só que na manhã de ontem as informações ainda não tinham sido passadas oficialmente para a PF.
Até o início da tarde de ontem o corpo do caingangue estava no Instituto Médico Legal de Londrina. Ele será sepultado na reserva de Apucaraninha.

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