''Estou lúcido, não sou louco nem estou bêbado. Estou é indignado.'' Assim o representante comercial R.G.A., 38 anos, tentou resumir o motivo que o levou a atear fogo no próprio veículo, um Celta ano 2003, em uma área pública da Região Central de Londrina na tarde de ontem. Ele disse que não conseguiu honrar o financiamento e tentou um acordo com o banco que fez o empréstimo após tomar conhecimento de que a Justiça havia concedido um mandado de busca e apreensão do veículo. Como não obteve sucesso, preferiu queimar o carro à perdê-lo. ''Se não podia ser meu, não vai ser de mais ninguém'', comentou.
O representante comercial contou que em 2003 fez o empréstimo de R$ 22 mil e adquiriu o Celta 0 quilômetro. Ele teria dado R$ 3 mil de entrada e parcelado o restante em 36 prestações de R$ 891,00. ''Quando fiz o empréstimo estava numa situação boa, mas depois as coisas pioraram e eu não consegui mais pagar'', afirmou o vendedor, que reside em Ibiporã (14 km a Leste de Londrina). Ele reclamou que depois disso passou a ser pressionado pela financeira para saldar a dívida, que já estaria em R$ 30 mil.
Sem conseguir receber a dívida, o banco ingressou com ação na Justiça e, no dia 12 de abril, conseguiu um mandado de busca e apreensão do veículo. Na última sexta-feira, o vendedor foi citado e teria o prazo de cinco dias para devolver o bem. Sem ter condições de saldar o compromisso, ele teria procurado a financeira na tarde de ontem numa última tentativa de reaver ''pelo menos os R$ 3 mil que tinha dado de entrada''. Não conseguiu. ''Achei uma tremenda sacanagem e não iria perder sozinho tudo que paguei'', reclamou.
Numa atitude drástica, decidiu atear fogo no veículo. ''Minha intenção era incendiar o carro em frente à agência onde fiz o empréstimo. Mas decidi fazer na praça porque não queria machucar ninguém'', confessou. Ele despejou uma garrafa com gasolina no interior do veículo. Na explosão, o fogo atingiu as pernas e o rosto do vendedor que, por muito pouco, não se feriu com gravidade. O Corpo de Bombeiros extinguiu o incêndio e o rapaz foi encaminhado pela Polícia Militar até a 10 Subdivisão Policial, onde foi ouvido e liberado.
De acordo com a Polícia Civil, o vendedor não poderia ficar preso mas acabou complicando sua situação. Agora, além da dívida, terá de arcar com o prejuízo provocado porque o veículo foi dado como garantia ao banco. Ele não poderá ser responsabilizado criminalmente mas ainda está sujeito a ser preso, caso seja condenado em uma eventual ação cível. O banco foi procurado pela Folha mas não quis se pronunciar sobre o assunto.

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