Indignação no velório de jovem assassinada
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domingo, 25 de janeiro de 2004
Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
Um clima de compreensível indignação deu o tom ontem numa das capelas da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), na Avenida Juscelino Kubitscheck (região central), no velório de Natália Palmacene Fuzzo, 18 anos. O corpo da jovem foi encontrado com marcas de violência sexual e estrangulamento na sexta-feira em Praia de Leste, Litoral do Paraná.
Natália era filha de pais separados e morava com o pai no Conjunto Vivendas do Arvoredo, na Zona Sul de Londrina. Conforme a descrição dos familiares, era uma adolescente comum, com comportamentos e ambições típicos da idade. ''Ela gostava muito de sair, ir a festas e barzinhos. Era muito alegre e mantinha muitas amizades'', disse o pai da jovem, o empresário Marcelo Antônio Machado Fuzzo.
Segundo o delegado Aparecido Rodrigues, coordenador-adjunto da Operação Verão Leste, o corpo foi encontrado por volta das 9 horas de sexta-feira numa área atrás do Clube Santa Mônica, em Praia de Leste. O cadáver estava no meio de uma vegetação ciliar, a 50 metros do mar. De acordo com o delegado, a jovem estava semi-nua, com a miniblusa e o sutiã na altura do pescoço, e a calcinha nos tornozelos. A calça estava ao lado.
Segundo a Polícia Civil, Natália foi estrangulada com seu próprio cinto. A força empregada pelo agressor foi tamanha que o acessório quebrou. Em seguida, o homicida utilizou a calça da jovem para terminar o estrangulamento. ''Uma perícia do médico-legista apontou que, na agressão, Natália também foi vítima de violência sexual. Ela sofreu rompimento do baço, além de edema pulmonar e cerebral, e havia esperma em sua cavidade vaginal'', explicou Rodrigues.
Familiares relataram à polícia que na noite anterior ao crime Natália estava com uma tia numa lanchonete, onde permaneceu até às 3h30. A tia decidiu voltar para casa e Natália teria ido dar uma volta. Por volta das 5 horas, segundo a polícia, a jovem foi vista discutindo na praia com um rapaz.
Nas primeiras investigações, foram detidos dez suspeitos, dos quais três permanecem presos. ''Um deles é um rapaz com quem Natália teria iniciado um caso logo que chegou ao Litoral (há cerca de 20 dias), e um segundo é outro jovem que estaria começando um relacionamento com ela. O terceiro é amigo deste segundo'', explicou Rodrigues. Os três negaram participação no crime.
Segundo o delegado, há mais suspeitos. Um deles seria um rapaz de Colorado (85 km ao norte de Maringá), que ainda não foi localizado: ele estaria ''interessado'' em Natália e teria ficado hospedado num apartamento na região de Praia de Leste até sexta-feira. Entre ontem e hoje, a testemunha que viu Natália na praia no dia do crime faria um retrato falado do rapaz com quem ela estava.
A jovem seria sepultada no Cemitério Padre Anchieta no final da tarde de ontem. Marcelo Fuzzo disse que não tem idéia de quem seria o assassino. Desiludido, declarou ter poucas esperanças de que o homicídio da filha seja solucionado. ''O Litoral é muito grande. Acho que não vão encontrar (o assassino)'', disse.


