‘‘Os índios brasileiros ainda não têm muito a comemorar no dia 19 de abril.’’ A declaração é do administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina, José Gonçalves. Para ele, os direitos dos índios ainda estão muito aquém do ideal. Ele avalia que os avanços indigenistas estão sendo modestos.
Segundo ele, o maior problema, principalmente para os índios da região sul do país, é a aculturação muito grande, gerada pelas pequenas áreas destinadas às reservas indígenas. ‘‘No Mato Grosso do Sul, as áreas chegam a ter 500 mil hectares; no Paraná, não passam de 18 mil. Os nossos índios não têm como manter suas tradições, como a caça e a pesca’’, salienta.
No Norte do Paraná, a única reserva que ainda mantém suas tradições mais fortes é a reserva do Apucaraninha, em Tamarana. A reserva, com aproximadamente 500 índios, tem mais 90% de caingangues puros. Em outras áreas, há maior influência de mestiços e brancos.
Outros problema é a proximidade com os centros urbanos. No caso da Reserva São Jerônimo, as divisas são com a periferia da cidade. Em consequência, o índice de alcoolismo dentro da comunidade era muito grande. José Gonçalves garante que estes índices estão diminuindo, principalmente com o tratamento preventivo realizado por escolas.
A pobreza e a falta de estrutura são problemas graves em algumas reservas. Na reserva Laranjinha, em Santa Amélia, os índios, de predominância guarani, querem explorar uma fonte de água mineral da reserva, procurando angariar recursos financeiros para diversos projetos. Com pouco mais de 200 pessoas, na menor das reservas do Paraná, fica difícil a comunidade trabalhar a agricultura de subsistência e a pecuária.
José Gonçalves disse que no início de maio deve ir a Brasília tentar viabilizar a comercialização da água da fonte. Resta, no entanto, saber de onde virá a verba inicial para que os guaranis possam iniciar o projeto.

mockup