Andreia Guilherme:  "A gente queria ter um espaço montado para vender; seria melhor"
Andreia Guilherme: "A gente queria ter um espaço montado para vender; seria melhor" | Foto: Anderson Coelho



Cerca de 50 famílias da Aldeia Água Branca, situada em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) estão instaladas atualmente nas proximidades do Centro Cultural Kaingang – Vãre, às margens da Avenida Dez de Dezembro (zona sul de Londrina). O espaço é utilizado por indígenas que estão de passagem por Londrina, principalmente para comercializar flores e artesanato. A família de Sandra Gino é uma delas. Ela costuma se abrigar em um barraco improvisado com madeiras e lona por aproximadamente 15 dias. "Faço isso há seis anos para vender os produtos", conta.

Inaugurado em 1999 como um local público para promoção, divulgação e valorização da cultura indígena, o Centro Cultural Vãre hoje, segundo o vice-cacique Renato Kriri, "é um projeto sem continuidade. A cada mudança de prefeito há uma nova visão sobre este lugar, que é um espaço de referência para quem sai da aldeia", afirma. Ele diz que a fonte de renda das famílias é o artesanato e, por isso, ressalta a necessidade de ter suporte para conseguir mais espaços de comércio. "Esse Centro tinha essa proposta quando surgiu, mas não funciona mais", destaca.

Com fruteiras nas mãos, Andreia Guilherme diz para vendê-las frequenta semáforos e bate de porta em porta. Seus produtos são feitos com bambu tingido e têm estampas que reproduzem marcas tribais. "A gente queria ter um espaço montado para vender. Seria melhor", comenta.

O diretor de Proteção Social Básica da secretaria municipal de Assistência Social, Paulo Sergio Aragão, comenta que é da cultura do índio vender seus produtos transitando por diferentes locais, mas acrescenta que a secretaria vem estudando novas formas para adequar esse comércio. "Talvez uma viabilização junto ao programa de Economia Solidária, mas por enquanto esse trabalho não está ativo e não há outro projeto a longo prazo programado", confirma.

Ele cita que há um local estruturado para o comércio dos produtos indígenas, que é o Centro de Referência, Memória e Cultura Indígena (rua Humberto Picinin, 235, na Vila Brasil), inaugurado no segundo semestre de 2016. "Existe ainda uma casa de passagem para a população ser atendida com as condições adequadas e dois professores indígenas para dar suporte. Porém, esse atendimento tem que ser programado e abriga entre 10 a 15 famílias", diz. A casa está localizada a 10 km do centro, próximo ao Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), na zona sul.

Em relação ao Centro Cultural Vãre, Aragão ressalta que o fundo de vale foi historicamente foi ocupado por indígenas, mas que a área é de risco, vulnerável. Durante as fortes chuvas de janeiro de 2016, muitos barracos foram destruídos porque o local foi inundado. "O município vem pedindo a reintegração de posse e já há uma decisão favorável na Justiça à não permanência dessas famílias no local. Dessa forma, não temos como investir neste espaço", afirma Aragão.

Ele completa que a comunidade caingangue é atendida também pelo Cras Rural. "As ações ocorrem semanalmente na própria terra indígena (aldeia) desde situações emergenciais, cadastro único e acompanhamento social", diz.

PREVENÇÃO
Agentes de endemias e da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Brasil conversaram na manhã de segunda-feira (18) com as famílias indígenas no centro cultural. Crianças e adultos receberam orientações sobre higiene bucal e ainda houve aferição da pressão e testes de glicemia. A enfermeira Cynthia Modenuti Alvares conta que o cacique sempre é comunicado sobre o estado de saúde geral dos indígenas, e que aqueles que apresentarem alguma alteração são encaminhados para atendimento na UBS e no centro de saúde que realiza atendimentos a essa população em Tamarana.

A educadora em Endemias, Lucimara Vasconcelos, afirma que a ação integrada deverá ser permanente a cada dois meses. Nas visitas de rotina, a equipe disponibiliza sacos plásticos e dá orientações sobre o descarte correto do lixo. "A ideia é trabalhar a questão da limpeza, pensando na prevenção de doenças, como aquelas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti", comenta.

No segundo Liraa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti), realizado em abril, a região central (área de abrangência do centro cultural) apresentou um índice de 4,05%, sendo o lixo doméstico apontado como principal criadouro.

De acordo com Vasconcelos, os indígenas ganham muitas doações, como sapatos de salto alto, comidas difíceis de serem preparadas e roupas em grande quantidade. Com isso, costumam descartar o que não é utilizado de forma errada, deixando exposto ao tempo e a insetos. Além disso, muita coisa acaba indo para o córrego que corta o acampamento.

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