Indígenas passam fome em Londrina
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terça-feira, 04 de janeiro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A ressaca das festas de Natal e Ano Novo pode ser bem pior do que as famosas dores de cabeça de quem exagerou nas comemorações. Para grupos de indígenas de aldeias da região, o início do ano representa uma época de privações. Os mais atingidos são os que vieram para Londrina na esperança de obter boas vendas de artesanato e ainda não voltaram para casa. Sem o lucro da comercialização e sem o ''conforto'' da aldeia, A situação é ainda mais cruel com as crianças. Em um terreno na Rua Potiguares, próximo ao Terminal Rodoviário, na Área Central, pelo menos quatro famílias de indígenas sobrevivem em condições desumanas. Em duas latas no fogareiro, eles cozinham o almoço do grupo, por volta das 15 horas. O cardápio é feijão e um pouco de carne, doado por um açougue da área. Hoje, a Fundação Nacional do Índio (Funai) deve encaminhá-los de volta para casa, na Reserva Laranjinha, em Santa Amélia (63 km ao Sul de Cornélio Procópio).
''O problema é que lá nós também passamos fome'', revelou Edvaldo Lourenço, 39 anos. O trabalho no cultivo de algodão não é suficiente para sustentar a família durante o ano todo. A confecção de colares com pedras e sementes coloridas é a alternativa de renda. O preço baixo - de R$ 0,50 a R$ 1,00 - exige vendas em grande quantidade para juntar um bom dinheiro. A ''fartura'', que raramente ocorre, também traz problemas.
Na noite de anteontem, o dinheiro do leite das crianças foi furtado, enquanto Iolanda Camargo, 38, dormia. Foram R$ 20,00, que seriam usados para alimentar os cinco filhos da índia, com idades entre 1 e 8 anos. ''Às vezes, não tem leite nem fubá para eles'', queixou-se Iolanda, que está impossibilitada de trabalhar por sofrer de anemia e varizes.
O espaço é compartilhado também por não-índios. O lavrador Lauro Augusto Cordeiro, 39, está em Londrina provisoriamente. O objetivo é voltar para a terra da família, Campo Grande (MS). Por falta de dinheiro, pretende fazer o trajeto - ou parte dele - a pé. ''Graças a Deus, um pessoal ajudou a gente no Natal. Para ter o que comer'', disse. Cordeiro e os índios reclamaram da falta de apoio do poder público.''
O administrador regional da Funai, José Gonçalves dos Santos, informou que grupos de indígenas acampados nas avenidas Celso Garcia Cid (Área Central) e Winston Churchill (Zona Norte) também devem ser encaminhados de volta para a Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio). Segundo Santos, a Funai e a Secretaria Municipal de Assistência Social devem fazer uma parceria para viabilizar um espaço para abrigar os indígenas da região que vendem artesanato em Londrina, nos moldes do Centro Cultural, localizado na Via Expressa (Zona Sul).
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