Curitiba - Funcionários de uma Organização Não Governamental (ONG) foram feitos reféns por lideranças indígenas durante o feriado, em Curitiba. A ocupação da sede da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Reimer, por causa da falta de repasse das verbas para assistência à saúde das aldeias, começou no final da tarde de segunda-feira e, segundo os indígenas, deve continuar até a solução do impasse.
Segundo o cacique de Clevelândia, Miguel Alves, também presidente do conselho local de Saúde, há alguns meses o atendimento das aldeias de todo o Paraná vem sendo afetado. ''Desde o início do ano faltam medicamentos, combustível e até alimentos em algumas aldeias. Os funcionários contaram que receberam a rescisão de contrato, mas sem o acerto e os salários atrasados'', conta.
Alves chegou a Curitiba na última quinta-feira para pedir explicações à ONG Reimer e à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) sobre os problemas com as verbas. Da Funasa, as lideranças receberam a resposta de que caberia à ONG o repasse. Da Reimer, souberam que a fundação teria deixado de pagar os valores desde a última prestação de contas, em novembro do ano passado.
De acordo com o presidente da ONG Reimer, Eduardo Zardo, após o envio da última prestação de contas teria havido uma mudança na metodologia com relação à parte técnica e, desde então, não houve a aprovação do relatório.
O atraso do repasse já estaria em R$ 1,6 milhão. Conforme Zardo, a ONG utilizou recursos próprios até onde pôde, mas desde dezembro deixou de pagar os fornecedores e em março interrompeu o pagamento dos salários dos 80 funcionários. A ONG atende 13 mil indígenas nas 46 comunidades do Estado.
A ocupação da sede da Reimer é pacífica. Os quatro reféns - o presidente da ONG e três funcionários - mantêm contato normalmente com seus familiares. Hoje as lideranças pretendem se reunir com representantes do Ministério Público e Funasa. O contrato da Reimer com a Funasa encerra no dia 24 deste mês. A partir desta data, uma empresa com sede em Santa Catarina assume o atendimento. Ontem a Funasa estava em recesso e não atendeu a reportagem.

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