A notícia de que pelo menos 100 policiais do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Londrina podem ter sido indiciados nos Inquéritos Policiais Militares que apuraram envolvimento da tropa na manifestação das mulheres e pensionistas e no protesto realizado no Com-Tour, em maio, provocou revolta dentro da corporação. O indiciamento foi classificado, por algumas mulheres de PMs, como uma tentativa de calar o movimento desencadeado por elas por melhores salários e condições de trabalho.
''Agora vão usar isso para tentar excluir do quadro aqueles que tiveram coragem de reivindicar seus direitos'', disse uma esposa de policial, que pediu para não ser identificada. Segundo ela, a corporação não admite que os soldados são cidadãos e que necessitam ser respeitados. ''Por causa de uma reivindicação justa, que qualquer trabalhador tem o direito de fazer, eles serão expulsos. Porque pode ter certeza que é isso vai acontecer'', afirmou.
A mesma certeza tem a advogada Nohad Abdallah, que defende cerca de 100 PMs em vários processos disciplinares e IPMs. Para Nohad, não resta dúvida que a promotoria militar vai apresentar denúncia contra os indiciados por crimes militares e tentar expulsá-los. ''Mas vamos brigar contra isso até o fim'', afirmou. Segundo ela, a intenção do comando é expulsar alguns para servir de exemplo à toda corporação. ''Eles chamam estas pessoas, que buscam apenas seus direitos, de líderes negativos. A intenção é extirpá-los do grupo para sufocar qualquer questionamento futuro'', declarou.
De acordo com a advogada, os IPMs classificaram os indiciados por conduta irregular e ''atos que afetam o pundonor policial militar e comprometem o decoro da classe''. ''Quem pratica atos desse tipo é enquadrado imediatamente por crime militar'', apontou. Mas, para ela, os PMs foram induzidos a fazerem o protesto. ''Quem organizou a palestra no mesmo dia marcado para começar a manifestação das mulheres, num ato de provocação? Quem avisou a imprensa sobre a palestra? Ele é o verdadeiro culpado'', disse.
O comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Gilberto Foltran, reagiu indignado às afirmações das esposas e da advogada. ''É uma barbaridade. Isso não existe, não corresponde à realidade'', reclamou. Segundo o coronel, os IPMs foram consequências dos atos dos policiais envolvidos nos protestos. ''Foi um fato amplamente divulgado pela imprensa e constituiu-se um crime militar. Todos aqueles que foram indiciados o foram por terem cometido crime militar e serão responsabilizados de acordo com a lei. Eles sabiam quais eram as consequências de seus atos e terão que responder por eles. Me admira uma advogada falar algo do tipo'', garantiu.

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