A Estação Meteorológica do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) de Londrina registrou um total, até agora, de 243 milímetros de chuva - cada milímetro significa um litro de água por metro quadrado de solo. A média de chuva no mês de janeiro, nos últimos 26 anos, foi de 198 milímetros.
De acordo com o serviço de meteorologia da Infraero, somente na terça-feira à noite, entre 18 e 19 horas, quando houve alagamentos na área central e zona norte da cidade, o total de precipitação foi de 32,1 milímetros. Além do aumento na quantidade de água, o problema se agravou nos últimos dias porque as chuvas vieram acompanhadas de granizo e ventos fortes, que causaram o destelhamento de casas e a queda de árvores e postes.
Segundo previsões do Sistema de Meteorologia do Paraná (Simepar), as chuvas seguidas de rajadas de ventos devem diminuir de intensidade mas continuarão a ocorrer nos finais de tardes de hoje, amanhã e sábado. ‘‘Estes fenômenos estão sendo provocados pelas altas temperaturas, que estarão presentes nas próximas 72 horas’’, explica o técnico do Simepar, Tarcísio Valentin da Costa.
Ele ressalta que o aumento da instabilidade atmosférica nos últimos dias foi causado pela passagem de uma frente fria pelo Oceano Atlântico no litoral do Paraná. ‘‘As rajadas de ventos fortes, de curta duração, continuarão ocorrendo em pontos localizados. Eles sempre acontecem embaixo das nuvens mais carregadas.’’
As constantes chuvas, seguidas de fortes ventos, provocaram problemas no abastecimento de água pela Sanepar e no fornecimento de energia elétrica pela Copel. ‘‘Para nós, os piores problemas são causados pelos vendavais. Eles derrubam árvores e galhos em cima dos fios da nossa rede, além de danificarem os postes’’, comenta o superintendente regional interino da Copel em Londrina, o engenheiro eletrecista Artur Nishikawa. ‘‘A queda de galhos nos fios provocam curtos-circuitos e, algumas vezes, panes nos equipamentos da nossa subestação.’’
Uma destas panes avariou, na noite de anteontem, um religador automático da central da Copel, causando interrupção na transmissão de energia elétrica para a estação de captação de água da Sanepar no Rio Tibagi, responsável pelo abastecimento de 70% dos cerca de 500 mil habitantes de Londrina e Cambé (12 km a oeste).
Faltou energia na estação da Sanepar - que capta 1.100 litros de água por segundo - durante cinco horas. Sem a possibilidade de captação, a água não chegava aos 15 reservatórios espalhados pela cidade, que têm juntos a capacidade de armazenar aproximadamente 50 milhões de litro. ‘‘Fechamos os registros dos reservatórios e faltou água nas torneiras das duas cidades, das 21 horas de terça-feira até as quatro horas de ontem. Isto foi necessário porque nossos reservatórios não podem secar totalmente, o que ocasionaria problemas operacionais nas máquinas’’, explica o gerente regional de operações da Sanepar, Nelson Okano.

mockup