A boa notícia é que existe engajamento em torno da causa. Exemplo é o projeto de extensão de Monitoramento Epidemiológico de Enteroparasitose e Esquistossomose da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com a Prefeitura, feito em várias regiões periféricas com comunidades ribeirinhas e de assentamentos.
''Quando começamos o estudo, em 1995, o índice de positividade era de 85,4%. No ano passado, foi de 20,03% para um total de 3,5 mil amostras'', conta Walter Abou Murad, docente de doenças infectocontagiosas e parasitárias do Hospital Universitário (HU), um dos coordenadores do projeto.
A redução, de acordo com Murad, se dá, principalmente pela adesão da população. ''A profilaxia ajuda muito. Mas devemos destacar ainda a vontade política. No assentamento São Jorge, por exemplo, depois do asfaltamento, reduziu-se consideravelmente a positividade. O trabalho visa preencher uma lacuna das áreas que dificilmente são atendidas pelo município.''
Maria Cláudia Menezes, docente de parasitologia, que também coordena o projeto, explica que objetivo consiste em ir às casas das famílias, antes mesmo de procurarem assistência ou apresentarem sintomas, para ser feita a coleta e posterior análise no laboratório da UEL. ''Os laudos são encaminhados às unidades e os pacientes positivos são tratados.'' Um perímetro de três quarteirões é mapeado para o colhimento das amostras. ''Quanto mais próximo da água, maior o índice de positividade'', completa.
''As parasitoses são doenças vinculadas à pobreza e, ao mesmo tempo, negligenciadas. Estas estão, sobretudo, ligadas à alta de taxa de morbidade, com perda orgânica que acarreta em deficit no desenvolvimento físico e mental'', pontua Maria Cláudia. (M.T.)

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