Índice de mortalidade materna é alto na região
Índice de mortalidade
materna é alto na região
Lucilia Okamura
Dorico da SilvaMorte de mãesVera Marvulle, da 17ª Regional de Saúde: orientação a mulheresNo ano passado, a 17ª Regional de Saúde de Londrina (que abrange 19 municípios), registrou a morte de 18 mulheres em decorrência de complicações de gravidez, parto ou puerpério. A grande maioria dessas mortes poderia ser evitada com acompanhamento pré-natal de qualidade e assistência no parto.
O assunto foi discutido ontem à tarde por um grupo de líderes comunitárias de Londrina, na Associação dos Professores do Paraná. Elas participaram de uma conferência que marcou o Dia Nacional e Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna. O evento foi organizado pela 17ª Regional e a Secretaria Especial da Mulher.
A chefe da seção de epidemiologia da 17ª Regional, Vera Marvulle, informa que do total de mortes ocorridos em 1997, a metade foi registrada em Londrina. As principais causas de mortalidade foram hemorragias, infecções e doenças hipertensivas. Quando o óbito acontece até 42 dias após o parto, é registrado como caso de mortalidade materna.
O número de mortes faz com que a região de Londrina tenha uma taxa de 73 mães mortas para cada 100 mil crianças nascidas por ano. Esse índice é considerado bastante alto, observa. Segundo Vera Marvulle, a taxa no Brasil varia de 70 a 480 mães mortas a cada 100 mil nascimentos, dependendo da região. O ideal seria chegar próximo à taxa dos países desenvolvidos, que é de 10 mães que morrem a cada ano, para 100 mil crianças que nascem, afirma.
Vera Marvulle ressalta que, além da morte em si já ser traumática, o óbito de uma mãe contribui para crises na estrutura familiar. A perda de uma mãe pode provocar a separação dos familiares e até levar os filhos à marginalidade. Entre as mães que morreram no ano passado na região de Londrina, cinco deixaram dois filhos. Houve também o caso de uma mãe que morreu deixando seis filhos.
Vera Marvulle observa que, de um modo geral, 90% das mortes maternas poderiam ser evitadas. Uma das formas é exigir um pré-natal de qualidade. Muitas mulheres fazem de cinco a seis consultas pré-natais. Este número é bom, mas às vezes falta a qualidade na consulta, explica. Uma assistência ao parto também tem uma influência grande na taxa de mortalidade.
Além de esclarecer as mulheres sobre o assunto, a 17ª Regional fez um trabalho junto aos profissionais de saúde. No dia 21, houve uma reunião com médicos, enfermeiros e secretários municipais de saúde, quando também foi discutida a prevenção da morte materna.





