Índice de infestação do mosquito da dengue cai para 4,8%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina A Secretaria de Saúde de Londrina divulgou ontem o segundo Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) do ano, realizado entre 13 e 17 de abril. A situação do município continua de alto risco, com 4,8% de índice de infestação predial. O valor considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde é de apenas 1%. No levantamento anterior, divulgado em 26 de março, o índice foi de 10,1%.
Outro indicador preocupante é o índice de Breteau, que indica a quantidade de insetos em fase de desenvolvimento encontradas nas habitações humanas, e está em 6,2%.
Segundo a coordenadora de Endemias da Secretaria de Saúde, Diana Martins, esse valor deveria estar próximo de zero. "O risco de epidemia permanece alto em Londrina", alertou.
Segundo ela, ainda há mais duas semanas de pico de casos de dengue e o clima não ajudou muito. "Não esfriou o suficiente e a chuva pode ajudar a eclodir os ovos dos mosquitos depositados em locais úmidos", apontou. Ela destaca que mesmo em locais em que a água secou, os ovos depositados eclodirão com a chuva e só podem ser eliminados por meio de limpeza mecânica. "Os ovos permanecem vivos por um ano e dois meses", ressaltou Diana.
Hoje, o Conjunto Lindoia (zona norte) é o bairro com maior índice de infestação predial (IIP), com 9%. O problema ocorre porque nem todos os moradores do bairro seguem o exemplo da escriturária aposentada Maria Florêncio da Silva, de 60 anos, que vive na Rua Sertanópolis. Ela garante que sempre manteve uma postura combativa em relação ao mosquito da dengue. Mesmo nos anos em que mantinha cinco cachorros em sua casa, sempre lavou cada vasilha de água dos animais com bucha, para evitar focos do mosquito Aedes aegypti. "Hoje o único cachorro que tenho é um poodle, com o qual mantenho os mesmos cuidados", afirmou.
A inspeção de vasos de plantas feita por ela também é bastante rigorosa. "Eu sempre procuro colocar pouca água para que ela não se acumule nos pratinhos." Mas o esforço da escriturária aposentada não pode ser feito isoladamente. A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que moradores de todas as regiões se mantenham vigilantes e fiscalizem rigorosamente seus quintais. Segundo o LIRAa divulgado ontem, 42,2% dos criadouros foram encontrados em lixos (recipientes plásticos, garrafas e latas); 31,8% em depósitos móveis (vasos, pratos, frascos com plantas, bebedouros de animais etc); 8% em depósitos fixos (calhas, lajes, ralos, sanitários em desuso); 7% em depósitos ao nível do solo (barris e tanques); 5,5% em pneus e outros materiais rodantes; 2,8% em depósitos naturais (buracos em árvores, bromélias etc.) e 0,2% em depósitos elevados ligados à rede (caixas dágua). Isso quer dizer que a maior parte dos criadouros continua nos quintais das casas.
O secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, convoca a população para que ajude no combate à dengue. "Só os agentes de endemias não dão conta. Precisamos que a população retire o lixo, garrafas e latas, não deixe água nos vasos de plantas e nos bebedouros dos animais. Nessas próximas duas semanas temos que trabalhar com força total", afirmou.
A coordenadora de Endemias, Diana Martins, reforça que as equipes têm trabalhado fortemente no combate à doença. Quando há casos confirmados, os agentes realizam o bloqueio, que consiste no trabalho direto onde a pessoa infectada mora e em um raio de até 300 metros dali.
A zona leste é a região de Londrina onde o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti é mais alto, com 5,66%. Segundo a coordenadora de Endemias, Diana Martins, muitos catadores de material reciclável, que acumulam garrafas plásticas, latas de alumínio e outros objetos, vivem e trabalham na área.
Ela salienta, no entanto, que o mosquito da dengue tem se espalhado por toda a cidade. Depois da zona leste, a região que possui maior índice de infestação predial é a zona oeste, com 5,31%. A zona sul aparece em terceiro lugar, com 4,67%, seguida pela área central, com 4,46%, e a zona norte, com 4,17%.
O levantamento de número de casos mais recente aponta que Londrina contabiliza 663 confirmações da doenças. Ainda há, no entanto, mais de 1,4 mil casos sob análise no Laboratório Central do Paraná (Lacen). "Para ser considerada uma epidemia, Londrina precisaria ter mais de 1,6 mil casos confirmados", esclareceu o secretário. Mais um levantamento do número de casos confirmados de dengue em Londrina deve ser divulgado hoje.


