Índice de infestação do Aedes cai em Londrina
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quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Londrina registrou queda de 90% no índice do Liraa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) em relação à pesquisa anterior. A terceira edição do estudo, divulgada quarta-feira (23), apontou que o índice de infestação predial foi de 0,5%, considerado satisfatório pelo Ministério da Saúde. A cada 100 imóveis vistoriados na cidade, foram encontrados focos em menos de um. O segundo Liraa, divulgado em abril, foi de 5,3%. Já na primeira pesquisa do ano, em janeiro, o índice foi de 4,1%. No inverno de 2016, o índice foi ainda mais baixo, 0,3%, o que não impediu uma epidemia da doença nos meses subsequentes. Houve também expressiva redução no número de casos. Foram 31 registros neste ano, ante mais de 5 mil no mesmo período de 2016.
O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, alertou que o levantamento foi feito antes das chuvas intensas dos últimos dias, o que favorece a eclosão de ovos do mosquito transmissor da dengue, zika vírus e febre chikungunya. "Temos focos do mosquito, insetos voando e vírus em circulação. A população não pode deixar de fazer a limpeza dos quintais, para evitar nova epidemia no verão. Com a queda, as pessoas podem deixar de se preocupar com os cuidados, é preciso estar atento o ano todo", pede. Além do tempo seco, ele atribuiu a redução de focos à atuação da equipe de Vigilância em Saúde e às ações educativas do setor de Endemias.
O maior índice de infestação foi na região leste (0,61%), seguida das zonas sul (0,59%), norte (0,57%), centro (0,54%) e oeste (0,14%). Já as piores localidades em infestação foram Chácara São Miguel (11,11%), na zona sul; Chácaras Eucaliptos (5,88%), na leste; Patrimônio Heimtal (5%), na norte; Waldemar Hauer (4,76%), também na leste, e bairro Moringão (4,17%), na sul.
O principal tipo de criadouro é o categorizado como "B", que reúne pequenos depósitos móveis, como vasos de plantas, potes de sorvete e brinquedos. O segundo principal criadouro foi o tipo "C", como tanques de roupas e bebedouros de animais. O levantamento de campo foi realizado de 7 a 11 de agosto, com vistoria de nove mil imóveis, incluindo residências, estabelecimentos comerciais e terrenos baldios.

CUIDADOS
Moradores da Chácara São Miguel foram surpreendidos com a informação de que a localidade é a que mais concentra focos de mosquitos transmissor da dengue em Londrina. Conforme a secretaria de Saúde, os pneus são os principais criadouros da região, que reúne pequenas chácaras. "Somos muito cuidadosos, mas o quintal aqui em casa é muito grande, se chove muito a água acumula", afirma a dona de casa Jéssica Afonso Nascimento, que se preocupa principalmente com o filho Renê, de 1 ano. "É preciso tomar cuidado o ano inteiro", alerta.
Já o desempregado Luciano Augusto Ferreira denuncia que costuma ver muitos pneus jogados pelas estradas. " A gente limpa o nosso quintal, mas as pessoas de outros bairros vêm aqui despejar pneus e não temos como evitar", lamenta.
O agricultor Ivan dos Reis Moreira garante que também costuma limpar bem a chácara onde mora, inclusive trocando a água e lavando os potes dos cachorros, patos e galinhas. "Já peguei gripe A e não quero nem pensar em pegar dengue", diz. Ele admite que deixa lonas expostas no quintal para cobrir os animais, mas procura esvaziar sempre que chove. "Não dá para brincar com essas doenças", reflete.
VACINAS
De 20 de setembro a 27 de outubro, a secretaria estadual de Saúde retoma a campanha de vacinação contra a dengue em jovens de 15 a 27 anos. Serão vacinados apenas aqueles que já iniciaram o esquema de vacinação e precisam tomar a 2ª ou a 3ª dose. Quem nunca tomou a vacina não será contemplado nesta campanha, mas pode se imunizar em 2018. A meta em Londrina é aplicar 66 mil doses, que estarão disponíveis nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Para receber a vacina é preciso apresentar documento oficial com foto e comprovantes das vacinações anteriores.
Como a vacinação contra HPV está aberta até o fim de agosto para a população entre 9 e 26 anos, o secretário adverte que os jovens devem procurar os postos de saúde o mais rápido possível para receberem a dose. Isso porque é preciso esperar 30 dias de intervalo antes de ser imunizado contra a dengue. A vacinação contra HPV está disponível o ano todo para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 9 a 11 anos. Já para a faixa etária até 26 anos, a campanha é só em agosto.


