O Índice de Infestação Vetorial Predial de dengue em Londrina é de 2,2%, o que coloca o município em situação de alerta conforme classificação do Ministério da Saúde. A porcentagem demonstra que, a cada 100 imóveis inspecionados, mais de dois estavam com focos positivos do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. O levantamento foi realizado entre 20 e 25 de outubro em 10.301 imóveis residenciais e comerciais, de 262 localidades da zona urbana.

Os dados do 1º Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) de 2025 foram divulgados durante reunião do Comitê Gestor Ampliado da Dengue. De acordo com a secretaria municipal de Saúde, agora o LIRAa será realizado anualmente.

Regiões e bairros

Nas regiões da cidade, a leste foi a que apresentou maior concentração de focos positivos, com 2,9% dos imóveis com larvas do mosquito. Em seguida, está a região sul, que apontou um índice de 2,8%. Em terceiro lugar, ficou a região central, com 2,6% de infestação. Em quarto lugar a região oeste, com 1,7% e, por último, aparece a zona norte com 1,6%.

Com relação aos bairros, os que apresentam os maiores índices de infestação são: Parque das Industrias Leves, na região leste (13,3%); Jardim Maringá, na região sul (13%); Jardim do Lago, região sul (11,7%); Jardim Jequitibá, região norte (9%); e Jardim Morte Carlo, região leste (9%).

Objetos jogados nos quintais

O Levantamento também apontou que quase 100% dos criadouros, com larvas e pupas de Aedes aegypti, foram encontrados nas residências das pessoas, sendo 90% em objetos em desuso jogados nos quintais, nos vasos de plantas e em bebedouros de animais; e 9% em recipientes de degelo em geladeiras e pequenas fontes ornamentais. Foram encontradas algumas larvas e pupas em terrenos baldios (0,22%).

O LIRAa é um método simplificado que permite identificar como está a infestação e distribuição do vetor Aedes aegypti nos municípios. Trata-se de um trabalho de amostragem, que possibilita identificar os bairros mais críticos e quais depósitos (de focos) são predominantes na área. O IIVP abaixo de 1% é considerado satisfatório, de 1% a 3,9% configura estado de alerta, e acima de 3,9% é considerado risco.

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Atenção constante

O gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas, destacou que apesar de Londrina estar abaixo do patamar de risco, o cenário demanda atenção constante, sobretudo pela heterogeneidade entre as regiões. “Embora algumas áreas apresentem índices reduzidos, todas contêm focos ativos do vetor, reforçando a necessidade de ações contínuas em todo o território. Apesar de estarmos em um período de menor transmissão, a experiência mostra que a situação pode mudar rapidamente caso não haja manutenção das medidas de prevenção”, apontou.

Ribas enfatizou que o enfrentamento ao Aedes aegypti é uma responsabilidade compartilhada. “A Prefeitura está atuando com planejamento, equipes em campo, tecnologia e integração intersetorial. No entanto, os criadouros continuam dentro das residências e isso faz da participação da população um elemento decisivo para evitar um novo período de alta transmissão", observou, detalhando que os moradores devem manter a regularidade da eliminação de pequenos objetos que acumulam água.

A secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, enfatizou que com dados concretos é possível direcionar os esforços de forma mais eficaz, bem como avaliar e acompanhar melhor as medidas implementadas. “É importante que as pessoas entendam os riscos e as medidas que estão sendo tomadas para proteger a saúde da comunidade."

Número de casos

Com relação aos números de casos da doença, a Saúde informou que, neste ano, foram notificados 26.164 casos suspeitos de dengue, dos quais 4.975 foram confirmados, 20.307 descartados, e 883 estão em análise aguardando o resultado de exames laboratoriais. Também houve nove mortes em decorrência da doença. Como comparativo, no ano de 2024 a cidade registrava, neste mesmo período, 42.017 casos confirmados e 52 óbitos.

Durante a apresentação do LIRAa, também foram destacadas as ações principais de combate ao Aedes aegypti, como visitas domiciliares, uso de ovitrampas (armadilhas) e inspeções em imóveis fechados ou abandonados.

A Prefeitura também desenvolveu projetos em parceria com universidades: modelagem preditiva com a UFPR (Universidade Federal do Paraná) de Cornélio Procópio, para previsão de casos e definição de áreas prioritárias; análise de fatores ambientais (temperatura, arborização e fatores ambientais) na densidade vetorial, com a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná); e o uso de drones para inspeção de áreas de difícil acesso, com a UEL (Universidade Estadual de Londrina).

Disque-Dengue

A população pode fazer denúncias de imóveis ou áreas suspeitas de terem focos do mosquito Aedes aegypti, entre eles terrenos baldios ou ambientes. O contato pode ser feito pelo telefone 0800-400-1893, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

(Com informações do N.Com)

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