Índice de infestação chega a 60% na zona sul
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terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Londrina está com um índice de infestação do mosquito transmissor da dengue de 7,9%. A cada cem imóveis vistoriados, quase oito têm foco do Aedes aegypti, o que coloca o município em situação de risco para uma epidemia das arboviroses dengue, zika e chikungunya. O número faz parte do primeiro Liraa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) de 2019, divulgado nesta terça-feira (22) pela secretaria municipal de Saúde. Na lista por regiões, a zona sul tem o maior índice de infestação, com 9,38%, mas quando se observa o recorte por bairros, a situação se revela ainda mais preocupante. No Cilo 5 (zona sul), o índice de infestação chegou a 60%.
O levantamento foi feito entre os dias 7 e 11 de janeiro. Dos 218.209 imóveis existentes na cidade, 10.472 foram inspecionados por mais de 200 agentes e dessa amostragem, 838 apresentaram focos de Aedes. Apesar de o índice de 7,9% não ser o mais alto registrado nos últimos anos, os dados estão muito acima do considerado satisfatório pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que é abaixo de 1%. Entre 1% e 3,9%, a situação é de alerta e, acima de 3,9%, há um alto risco de infestação. No mesmo período de 2015, a infestação chegou a 10,1% e, no ano passado, a 12,1%.
Na comparação com o último Liraa divulgado pela secretaria municipal de Saúde em 2018, referente a outubro, o índice de infestação também cresceu. Há três meses, o índice estava em 5,4% e já apontava para o risco de epidemia.
A diretora de Vigilância em Saúde a secretaria, Sônia Fernandes, alertou para os dados do Liraa destacando que as vistorias aconteceram em um período seco. "Mesmo sem chuvas, o número apontado pelo levantamento foi bastante elevado", comentou.
Dos 838 focos encontrados pelos agentes da dengue, 468 estavam em depósitos móveis, como vasos, pratos, frascos com plantas e bebedouros de animais. O lixo que poderia ser reciclado, como recipientes plásticos, garrafas, latas e pneus, são o segundo maior criadouro do mosquito. "A gente está falando que a comunidade está criando Aedes aegypti como bicho de estimação porque os focos estão em recipientes como vasos de planta e bebedouros de animais", disse Fernandes.
"Chega a ser redundante, mas ultimamente todos os nossos Liraas apresentam grave risco de epidemia e, mesmo assim, não conseguimos conscientizar a população. Setenta a 80% dos criadouros encontrados nesse Liraa estão dentro dos quintais das pessoas ou em lixo descartado de forma irregular", destacou o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado.
DESAFIO
O secretário lembrou que além do calor muito intenso intercalado com chuvas representa um desafio extra para evitar que o município entre em epidemia de dengue. "Estamos vendo vários municípios do Paraná, inclusive próximos a nós aqui em Londrina, que já se encaminham para uma epidemia de dengue. Se a população não se conscientizar para a importância de olhar o seu quintal, recolher os criadouros, fazer o dever de casa, sem sombra de dúvida Londrina atravessará em 2019 uma nova epidemia de dengue, inclusive com riscos de óbito à população."
Em 2019, o município contabiliza 128 notificações de dengue, mas sem nenhuma confirmação da doença. Até o momento, quatro casos foram descartados e os outros 124 estão em andamento. Uma das regiões mais preocupantes é a zona sul. A região do Cilo 5, primordialmente industrial, apresentou o maior índice de infestação, 60%, o que significa que 60 a cada cem imóveis visitados continham foco da dengue. A preocupação da secretaria de Saúde é com os bairros localizados na área de abrangência da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Itapoã.
Cinco equipes de agentes de endemias farão ações específicas em caráter de mutirão, com 30 agentes no total. "Naquela região foram notificados 60 casos e há grande possibilidade de os casos serem confirmados com os exames de sorologia. Estamos nesta semana fazendo toda essa região e, na sexta-feira (25), faremos uma ação grande no Cilo 5", disse o secretário. A secretaria também pretende intensificar as notificações, autuações e multas a quem não eliminar os focos e não descarta a utilização do fumacê nas regiões mais críticas. O veneno deverá ser solicitado à secretaria estadual de Saúde.
CONSCIENTIZAÇÃO
O aposentado Benedito Zeferino Macedo mora próximo ao Cilo 5 e não se surpreendeu ao saber que a região é uma das que apresentam maior índice de infestação do mosquito transmissor da dengue. Ele afirma cuidar do quintal regularmente, descartando qualquer recipiente que possa servir de criadouro, mas nem todos os vizinhos compartilham da mesma preocupação. "Na minha casa não tem foco, eu vivo cuidando, mas infelizmente a vizinhança não colabora. E tem também as crianças que voltam da escola comendo e bebendo e jogam as embalagens pela rua, em qualquer lugar."
Marina Inês Bento Gimenez também se queixa do descuido dos alunos de uma escola próxima. "Deveriam conscientizar os estudantes dentro das escolas para que eles parassem de jogar lixo pela rua", sugeriu. "Cuido muito bem do meu quintal, adoro plantas, mas não deixo nenhum pratinho embaixo delas. Jogo fora todo o lixo, mas os vizinhos não colaboram. Tenho medo de pegar a doença, ainda mais porque eu e meu marido somos diabéticos e hipertensos e é perigoso."
Segundo Sônia Fernandes, a secretaria municipal de Saúde adotou uma nova metodologia de trabalho que consiste em destacar agentes para trabalhar em conjunto com a sociedade civil organizada, estabelecendo parcerias com empresários e descentralizando as ações, que agora estão mais voltadas aos bairros. O objetivo, explicou a diretora de Vigilância em Saúde, é mudar a consciência da população e melhorar a destinação final dos resíduos. O trabalho de conscientização também acontece nas escolas. "É um trabalho que acreditamos que vai ser longo, mas é um trabalho que vamos iniciar neste ano talvez para colher os frutos no ano que vem ou em 2021."
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VACINAÇÃO
Em 2018, a secretaria realizou a campanha de vacinação contra a dengue, mas a adesão da população ficou muito abaixo do esperado. A meta do município era distribuir 130 mil doses a jovens entre 15 e 27 anos de idade, mas a população que recebeu as três doses da vacina não chegou a 50% do total esperado.
"Se nós tivéssemos feito 100% da vacinação, poderia ter algum impacto neste ano, mas como ficamos muito abaixo da nossa meta estipulada, aquele bloqueio que gostaríamos de ter feito com relação aos vacinados, não conseguimos fazer. O bloqueio seria para agora", explicou a diretora de Vigilância em Saúde. Ao final das três etapas da campanha, que completavam o esquema de vacinação, a imunização ficou "muito abaixo" das 65 mil doses.
Para este ano, Fernandes informou que será necessário aguardar um posicionamento do governo do Estado, de quem partiu a estratégia de realizar a campanha. Com a mudança de governo, ainda não se sabe se a campanha será realizada em 2019. "Estamos esperando para ver o que vão propor."



