Célia Polesel
As crianças são as maiores vítimas dos acidentes domésticos. Algumas vezes por descuido, outras, por falta de informação, os pais deixam ao alcance delas produtos que causam intoxicação, podendo levar à morte. No sábado, uma criança de 1 ano e 5 meses morreu depois de ter ficado internada quatro dias porque ingeriu veneno. Outra foi internada e liberada no dia seguinte pelo mesmo motivo (leia texto nesta página).
Estudo realizado pelo Centro de Controle de Intoxicação do Hospital Universitário de Londrina (HU) mostra que entre 1994 e 97 foram registrados 5.430 casos de intoxicação e envenenamento. Destes, 1.235 ocorreram com crianças de 0 a 5 anos, o que representa 30% dos casos.
As crianças de até 2 anos costumam ingerir produtos de limpeza como hipoclorito de sódio (alvejantes e águas sanitárias), responsável por 40% dos acidentes; sabão em pó e detergentes (30%); soda cáustica (14%); ácido (4%) e colas (4%).
Após os 2 anos, os acidentes acontecem com outros produtos, como por exemplo os medicamentos. A coordenadora do Centro de Controle, a bioquímica Conceição Turini, explica que as crianças que ainda estão gatinhando ou aprendendo a andar têm maior acesso a produtos de limpeza, que geralmente são guardados em lugares baixos. Quando crescem um pouco, têm acesso a gavetas e já conseguem subir em cadeiras, chegando aos medicamentos. Na zona rural, além dos produtos domésticos, ainda existem os pesticidas.
Segundo Conceição, a melhor maneira de prevenção é impedir o acesso das crianças aos produtos, mantendo-os sempre trancados. Outra orientação importante é não reutilizar embalagens. ‘‘Os pais às vezes colocam produtos de limpeza em outras recipientes. Por exemplo, alvejante em garrafas de refrigerante. A criança não tem discernimento, ela olha a garrafa e acredita que é refrigerante e acaba ingerindo. E as próprias embalagens deveriam vir com um lacre especial que impedisse as crianças de abri-las’’.
O Centro de Controle de Intoxicação do HU tem um serviço de orientação e primeiros socorros que funciona 24 horas por dia. Conceição explica que os funcionários do Centro estão aptos a dar qualquer informação sobre intoxicação e envenenamentos. No caso de acidente, podem orientar os primeiros socorros, mas é preciso levar a criança para o hospital o mais rápido possível.
Existem alguns procedimentos básicos que os pais podem tomar no caso de acidente: se a criança ingeriu sabão ou detergente, ela irá vomitar; quando ingerir produtos cáusticos (soda, hipoclorito de sódio), deve-se dar leite ou água; no caso de plantas, a orientação é para fazer a criança vomitar.
Nas intoxicações por medicamentos, Conceição pede que as pessoas liguem para o Centro, pois existem remédios que provocam convulsão e precisam de uma orientação especial. No caso de pesticidas, não existem primeiros socorros a ser prestados, deve-se levar a criança imediatamente para o hospital. ‘‘É importante ressaltar que mesmo dando os primeiros socorros é indispensável levar a criança para o hospital’’, orienta.
Serviço: O telefone de atendimento 24 horas do Centro de Controle de Intoxicação do HU é (043) 371-2244Centro de Controle do Hospital Universitário atendeu 5.430 casos em 3 anos; 30% dos pacientes dentro da faixa de 0 a 5 anos
Josoé de CarvalhoBrincadeira fatalWanderlino dos Santos, pai do menino que morreu envenenado: ‘‘Crianças brincavam no paiol’’

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