Índice da dengue na Cidade cresceu 1.000% em um ano
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Adriana De Cunto 
Técnicos da Fundação Nacional de Saúde e da 17ª Regional de Saúde montaram uma frente de batalha contra a dengue ontem no Calçadão (centro). Para promover o Dia Nacional de Combate à Dengue, eles instalaram um estande em frente à loja Mesbla e distribuíram material educativo para a população, mostrando os cuidados básicos contra a proliferação do mosquito Aedes aegypt, transmissor da doença (veja texto nesta página).
Os números da dengue em Londrina são alarmantes. De janeiro até agora já foram notificados 1.018 casos - 400 confirmados. No ano passado foram confirmados 38 casos, o que corresponde a um aumento superior a 1.000%. Os meses de maior incidência foram abril, maio e junho, segundo informações da Autarquia do Serviço Municipal de Saúde.
A médica epidemiologista da 17ª RS, Luci Hirata, explica que a incidência da doença é geral na Cidade. Mas as regiões mais atingidas são as zonas norte, com 111 casos confirmados, e leste, com 95. A zona rural é a menos atingida: apenas dois casos confirmados este ano.
Luci Hirata lembra que a incidência da doença é grande em todo o Brasil - de janeiro a novembro já foram confirmados 135 mil casos de dengue. Para tentar conter o avanço, em outubro o Ministério da Saúde lançou o Plano Diretor de Erradicação do Aedes aegypt. A médica comenta que a idéia do governo federal é unir estados, municípios e a sociedade no combate contra a dengue.
Ela explica que a idéia é conscientizar a população sobre os cuidados através de campanhas educativas, intensificar ações de fiscalização, borrifação de veneno e promover a coleta e destinação adequada do lixo. São ações a curto, médio e longo prazo, comenta Luci Hirata.
Um dos primeiros passos é agilizar o diagnóstico da doença. Para isso, bioquímicos da Autarquia do Serviço Municipal de Saúde estarão em Curitiba, na semana que vem, fazendo um treinamento de como diagnosticar a doença através dos exames laboratoriais. Hoje, conforme Luci Hirata, o Laboratório Central do governo do Estado, em Curitiba, é quem faz os exames em todo o Paraná. A descentralização é importante porque teremos as respostas mais rapidamente, justifica.
A médica ressalta que a participação dos londrineses é muito importante. Se não houver participação massiva da sociedade, nós não vamos conseguir erradicar o mosquito da dengue, ressalta. Ela diz que até mesmo um papel de bala, jogado na calçada, pode virar um criadouro do Aedes aegypt.
Os principais cuidados contra a dengue envolvem hábitos de limpeza: acondicionar o lixo para a coleta regular, não manter embalagens abertas que possam acumular água de chuva e não deixar reservatórios de água abertos ou mal lacrados.
No estande montado pela FNS, no Calçadão, foi mostrado o desenvolvimento do Aedes aegypt, desde ovo até mosquito adulto. O técnico da FNS e coordenador da Operação Londrina Contra a Dengue, Elson Belisário, informa que o ovo do Aedes aegypt é muito resistente e pode durar até 450 dias em lugares úmidos.
Em um local com água limpa, o ciclo de evolução do ovo até mosquito adulto dura de oito a 12 dias. Um mosquito adulto vive de 10 a 45 dias e coloca de 40 a 70 ovos a cada três dias. Resumindo: um mosquito fêmea pode colocar 600 ovos durante seu ciclo de vida.


