Paulo Henrique Faria
De Londrina
Especial para a Folha
Iselaine, 7 anos, saiu com a família da Reserva Indígena Apucaraninha há cerca de duas semanas. Quando está em Londrina, passa parte de seus dias andando pelas ruas, vendendo cestos de palha com sua irmã mais velha. A indiazinha, que pertence à tribo Kaingang, foi surpreendida esmolando no estacionamento de um supermercado e disse, com ares de quem não gosta muito da cidade, que quer voltar logo ‘‘para casa’’.
A menina é apenas mais uma criança que não entende muito dessas turnês realizadas pela sua tribo, que participa de um interminável rodízio por pontos das cidades paranaenses vendendo seus produtos. O Dia da Criança para Iselaine será como um dia qualquer, pois a data simplesmente não existe no calendário indígena.
Quando fica sabendo que crianças brancas costumam ganhar presentes no dia 12, ela avisa: ‘‘Então eu quero balas, doces e bolo’’.Mas para ganhar guloseimas, Iselaine vai ter que depender da boa vontade do homem branco, porque no Centro Cultural Kaingang, onde eles ficam hospedados quando estão na cidade, a data não tem muita importância.

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