Umuarama - O Grupo de Apoio à Causa Indígena (Gaci) de Umuarama está negociando com o Clube Sírio-Libanês a saída da índia tupi-guarani Anastácia Vilawa, 57 anos, da sede do clube localizado nos fundos do Jardim dos Príncipes. A única índia guarani de Umuarama temia ser despejada da casinha onde mora há 29 anos, com dois filhos e três netos. A diretoria do clube teria pedido a desocupação da área depois que uma filha de Anastácia se mudou para um barracão ao lado da casa da mãe.
A secretária do Gaci, a vereadora e advogada Cleusa Braga Franquini, disse anteontem que a diretoria do clube concordou em comprar uma casa para a índia no valor de R$ 10 mil. ''Estamos negociando uma casa no bairro Primeiro de Maio, ao lado da casa de uma filha casada dela, mas se não der certo, procuraremos outra no mesmo bairro'', informou Cleusa. O Sírio-Libanês também está disposto a pagar uma indenização pelos sete anos que o marido de Anastácia trabalhou como vigia do clube.
Membro da tribo tupi-guarani que vivia na região de Guaíra, Anastácia foi embora para Mato Grosso do Sul aos 14 anos, quando os colonizadores começaram a ocupar a região e expulsar os índios. Casou-se com um homem branco e veio para Umuarama, onde ocupou a casa de madeira que existia no terreno do clube. Dos 17 filhos que teve, 5 morreram na infância. Está viúva há 4 anos e sobrevive de ''bicos'' e da ajuda da comunidade.
Outra índia pura que vive em Umuarama, a xetá Maria Rosa Brasil Tiguá, 52 anos, está trabalhando no Museu do Índio, no Bosque dos Xetá. Até o ano passado, Tiguá trabalhava de diarista e chegou a passar fome durante em período em que ficou doente e impossilitada de trabalhar. Tiguá é um dos oito xetá remanescentes da pequena tribo descoberta na região de Umuarama, nos anos 50, e que foi dizimada durante a colonização. Os sobreviventes e seus descendentes aguardam a demarcação de uma reserva para a nação xetá.

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