A índia Suzana Frederico, 11 anos, da reserva da Funai em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio) foi morta a facadas anteontem pela manhã. A índia Edite Pereira Amaral, 38 anos, desferiu duas facadas (uma no pescoço e outra no pulso) da menor por ciúmes. Ela desconfiava que a vítima fosse amante do ex-marido, Luiz Amaral, que também é índio da reserva.
O crime aconteceu por volta das 9 horas da manhã de segunda-feira, próximo à casa de Suzana. O delegado Ismael Lucas Machado, de São Jerônimo da Serra, ainda está ouvindo testemunhas e não pôde esclarecer as circunstâncias do crime. Segundo ele, Edite não está regularmente presa. Ela precisa ser apresentada pela Funai.
O administrador substituto da Funai de Londrina, José Gonçalves, informou que crimes como este não são comuns dentro das comunidades indígenas. ‘‘Eles têm uma convivência muito forte e são unidos em vários aspectos, inclusive no respeito mútuo’’. Mas Gonçalves argumenta que os índios são seres humanos normais, sujeitos a conflitos como qualquer pessoa. ‘‘A Funai não tem como interferir, nem prevenir reações humanas’’.
Gonçalves disse que a responsabilidade sobre questões e conflitos internos das reservas é do cacique. ‘‘Eles têm autonomia para resolver problemas internos’’.
O administrador explicou ainda que entre os índios, as meninas tornam-se adultas muito cedo. Para eles, com 11 ou 12 anos a menina já é considerada mulher. ‘‘É claro que isso não justifica o fato de ter sido um envolvimento adúltero bastante prematuro’’, concorda.
A reserva São Jerônimo da Serra conta com 420 famílias numa área de 1,3 mil hectares. O município sedia ainda a reserva Barão de Antonina com 3,7 mil hectares, que também abriga 400 pessoas.
Cacique O cacique Reginaldo Sales Batarse e o índio João Teixeira da reserva Barão de Antonina, acusados de matar o ex-posseiro Adenilson da Silva Cruz, 25 anos, dia 16 de novembro, se apresentaram ontem na delegacia de São Jerônimo da Serra. Eles alegaram legítima defesa e entregaram para o delegado Ismael Lucas Machado, as armas do crime (dois revólveres calibre 38).
Batarse matou Cruz com três tiros. No depoimento, ele contou que estava trocando o pneu do carro quando foi abordado pelas costas por Cruz e outros companheiros. Para se salvar, teve que atirar, atingindo o ex-posseiro. Já a família de Cruz contradiz a versão. Eles dizem que Cruz foi chamado pelos índios para uma conversa e foi recebido a balas. ‘‘Os dois foram dispensados e vão aguardar pela Justiça’’, afirmou o delegado.
O crime, ocorrido no distrito de São João do Pinhal, foi consequência da disputa entre posseiros e índios pela Gleba do Cedro (120 alqueires) que fica na reserva. A Funai considera esta disputa o maior conflito agrário entre do Estado.

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