Indenizações geram expectativa
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Vânia Moreira Enviada a Guaíra 
Uma lista relacionando nomes de 384 proprietários de terras no Parque Nacional de Ilha Grande e valores milionários que supostamente teriam a receber de indenização está confundindo os ilhéus e gerando polêmica em Guaíra (158 km ao norte de Cascavel). A lista está em nome da Associação dos Afetados pelo Parque Nacional de Ilha Grande (Apig), mas a entidade nega que tenha feito o documento. Suspeita-se que advogados e outros interessados estejam tentando criar falsas expectativas nos ilhéus para representá-los nas negociações e cobrar comissões.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) tinha prazo até 2002 para indenizar os posseiros do Arquipélago de Ilha Grande, transformado em parque nacional em setembro de 97, mas decidiu antecipar o pagamento. Os primeiros pagamentos devem ser feitos no início do ano que vem. A diretora do parque, Maude Nacy Motta, tem alertado os posseiros e ilhéus para tomar cuidado com falsas promessas ao assinar procurações. Quem tem direito a indenização não precisa contratar advogado nem se filiar a nenhuma associação para se habilitar. Basta entregar cópias dos documentos ao Ibama, orienta.
Segundo Maude, também não adianta pleitear valores absurdos ou benfeitorias inexistentes porque tudo será averiguado e avaliado pelo Ibama. A presidência do órgão criou uma comissão especial para avaliar os pedidos e vai se basear em valores de mercado e critérios adotados pelo Crea e Incra. Pela lista que circula em nome da Apig, alguns proprietários teriam até R$ 2,4 milhões para receber a título de indenização.
Criada há 3 anos, a associação já cadastrou quase 400 pessoas que têm títulos de posses nas ilhas e pretende cadastrar mais 100 nos próximos meses. O presidente Eduardo Ott nega que a lista pertença à associação. Vamos representar os ilhéus para brigar por uma indenização justa, mas jamais pediríamos valores absurdos, disse. Ott informou que a Apig vai cobrar 5% de cada ilhéu para cobrir despesas de trabalho. Não haverá nenhuma outra taxa ou honorários de advogados, assegurou. Segundo Ott, foi graças à mobilização da Apig que o Ibama antecipou o pagamento das indenizações.
O advogado Aparecido Martins, que defende interesses de centenas de ilhéus e pescadores que cobram indenizações por prejuízos causados por obras públicas no Rio Paraná, disse que até agora foi procurado por cerca de 20 pessoas que têm posses no parque nacional. A maioria precisa fazer inventário ou regularizar documentos e tem de entrar com alguma ação judicial. Nestes casos cobro 20% ou 25% se eu bancar as custas judiciais. De acordo com o advogado, se for apenas para representar o cliente administrativamente, sem precisar pleitear nada judicialmente, ele pede 10% do valor da indenização.


