A retirada dos moradores da área onde será implantada uma linha do biarticulado, no bairro Pinheirinho, em Curitiba, está gerando conflitos entre os ocupantes das casas, a Prefeitura e o Cartório Distrital do Pinheirinho. Ontem, um oficial de Justiça, mesmo sem apresentar documentos, teria dado prazo de 72 horas para os moradores deixarem as residências, mas ocorre que alguns deles não têm a escritura dos terrenos e, por isso, não poderiam receber a indenização. ‘‘O oficial de Justiça disse que vamos ser acordados com as máquinas, que vão derrubar tudo’’, disse a moradora Maria Miriam Goberski, que mora no local há 32 anos.
Além do problema da derrubada das casas - que já começou -, há um duvidoso acordo firmado no dia 4 de março entre o escrevente do cartório, Airton Batista Camargo, pelo qual Miriam Goberski seria obrigada a repassar 30% da indenização sobre o terreno. ‘‘Eu assinei o termo porque não tive outro jeito e tinha medo de ficar sem receber nada de indenização’’, afirmou Miriam, que acusa o cartorário de tê-la coagido a assinar o documento. O cartorário, no entanto, nega e inverte a situação, dizendo que ‘‘na verdade’’ estaria ‘‘ajudando essa senhora’’. Ele afirma ser o legítimo proprietário e, por isso, se considera no direito de receber os 30%, apesar de não ter em mãos a escritura. Na prática, o acordo se antecipa à decisão da Justiça, que ainda está apreciando 56 processos dos moradores da região, desde setembro de 97. ‘‘O que eu fiz foi garantir a essa senhora que ela iria receber sua indenização’’, disse o cartorário, quando, na realidade, o acordo garante apenas que ele receberá sua parte se a Justiça conceder o alvará.
Outra moradora, Ivanilde Franco Guimarães, reclama da morosidade da Justiça e afirma que ‘‘não há interesse em resolver esse assunto’’. ‘‘Não podemos ser despejados, depois de morar mais de 30 anos no local’’, afirmou, indignada.
O supervisor da implantação do projeto Linhão do Emprego, Edson Seidel, afirmou ontem desconhecer o problema com o cartório. Segundo ele, o que a Prefeitura tem feito é procurado acertar amigavelmente a retirada dos moradores. Quando não há acordo, diz, a Prefeitura trata de depositar em juízo o valor correspondente à indenização. Ele tranquiliza os moradores e diz que a demolição das casas não vai acontecer até a resolução do conflito. ‘‘As máquinas não vão passar por cima de ninguém, mas a Justiça vai acabar retirando as pessoas’’, disse.57 famílias serão retiradas de uma área do Pinheirinho, para implantação de linha de ônibus, e algumas acusam cartório de golpe
Marcelo AlmeidaO escrevente do cartório, Airton Batista Camargo, nega o golpe e diz ser o proprietário dos terrenos‘‘O oficial de Justiça
disse que vamos ser
acordados com as máquinas,
que vão derrubar tudo’’

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