O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Salvatore Astuti, está na iminência de manifestar-se sobre o pedido de indenização requerido por Lúcia Mainko da Silva, a viúva do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o ‘‘Teixeirinha’’, morto durante ação da Polícia em março de 93, no governo Roberto Requião (PMDB). O processo estava na mesa do juiz ontem à tarde para despacho, já com o posicionamento do Ministério Público.
Uma perícia realizada em juízo, cuja apuração foi concluída dia 21 de julho deste ano, sugeriu o pagamento de uma indenização de R$ 486,1 mil a Lúcia Mainko da Silva. O laudo foi assinado pelo perito Kanitar Aymoré Sabóia Cordeiro. O juiz abriu prazo para o governo do Paraná e os advogados da viúva se manifestarem. A viúva aceitou o laudo. A Procuradoria do Estado, representante do governo Jaime Lerner (PFL) no caso, questionou a legitimidade do laudo e se recusa a reconhecer o pagamento. Ontem, nenhum integrante do governo quis se pronunciar sobre o assunto. AFolha procurou a assessoria direta do governador Jaime Lerner, assim como o ex-secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, que não quiseram comentar o caso. O senador Roberto Requião, do PMDB, governador na ocasião, também foi procurado diversas vezes, mas não retornou a ligação.
Para apurar o valor devido à mulher a ao filho do líder sem-terra, Marcos Antonio da Silva, o perito teve de fazer um levantamento. O dano material foi calculado em R$ 243,06 mil, mesmo valor atribuído ao dano moral. A perícia levou em conta os 22 anos que o líder sem-terra trabalharia até se aposentar e a renda média da família. Houve consulta ao Ipardes, Ministério do Trabalho e Secretaria da Agricultura.
Paralelamente à ação de indenização que tramita na Vara da Fazenda Pública, o caso ‘‘Teixeirinha’’ é investigado pela Justiça Comum. O ex-governador Mário Pereira (PMDB) prestou há cerca de dois meses depoimento no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). A juíza de Guaraniaçu, Cristiane Leite, reabriu o caso - arquivado duas vezes pela Justiça Militar - em março deste ano e delegou a função de ouvir alguns depoimentos a um dos delegados do Cope, Júlio Reis.
Foi ele que coletou informações do conselheiro do Tribunal de Contas Nestor Baptista, também arrolado como testemunha pelo ex-secretário de Lerner, Joni Varisco, que acusa Requião de ter ordenado, por telefone, a execução do líder sem-terra. Mário Pereira não revelou o conteúdo do seu depoimento. Assegurou apenas que não viu nada daquilo que Joni Varisco afirma ser verdade. ‘‘Eu não ouvi o Requião mandar matar ninguém’’, frisou. Nestor Baptista também não confirmou a tese de Varisco.

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